Solidão.

Aaahhh, a minha velha companheira está de volta; não sei se é amiga, mas há quem diga que mais vale só do que mal acompanhado. Ela surge repentinamente, sem qualquer aviso, trazendo pensamentos, memórias de tempos bons, tempos em que era amado, em que tinha alguém com quem partilhar tudo, com quem me partilhar a mim próprio. Mas há também outras memórias que persistem, memórias de coisas más, tristezas, mágoas, desilusões, decepções. Pedaços de sonhos arrasados vagueiam pela minha mente, ilusões que em tempos foram bem reais.

Tenho que me reconstruir, levantar a cabeça, viver a vida. Não posso ver a solidão como minha inimiga, tenho que a aceitar e conviver com isso; não consigo vencê-la, portanto tenho que me juntar a ela. Por estranho que pareça, desta vez, a solidão não me está a arrastar para as profundezas da depressão, estou a ser forte, ou pelo menos estou a conseguir enganar-me a mim próprio. Mas mesmo que seja engano, prefiro assim, não sofro tanto.

Voltei a escrever um blog sobre mim, um diário público. Será que é uma tentativa vã de tentar chegar a alguém? Não, não é. É a única maneira que tenho de exorcizar os meus demónios, afastar os fantasmas do meu passado. Além disso, já há quase dois anos que ganhei o gosto pela escrita, seja ela em forma de conto ou em forma de
devaneios mentais. Sinto-me bem quando escrevo; o meu único objectivo de escrever é o prazer pessoal que a escrita me dá.

Há pela blogosfera muitas pessoas que ainda se lembram do meu primeiro blog, o qual apaguei para perseguir um sonho de felicidade; Desse mundo de gente que leu o meu blog, havia umas poucas pessoas que eu conhecia, em alguns casos pessoalmente, noutros apenas mantinha conversas regulares no messenger. Ao perseguir um sonho, apaguei o blog, comecei a deixar de aparecer no messenger até ter finalmente deixado do o usar, apaguei a minha conta de hotmail. Resumindo, cortei com tudo ou quase tudo o que tinha a ver com a net, virei as costas a pessoas que não o mereciam, errei. Como eu estava completamente errado, onde é que estavam o meu raciocínio lógico e a minha empatia quando tomei essa decisão?
Eu sei onde estavam, ofuscados, escondidos e atrofiados num canto da minha mente, aprisionados por um sonho de felicidade. Um sonho que talvez tenha sido real, mas que, invariavelmente, acabou em pesadelo.

Agora, quase um ano depois eu pergunto-me: Será que valeu a pena? Não sei se valeu a pena, e acho que nunca vou saber.

Boa tarde, até logo e um pedido muito sincero de desculpas para todos aqueles a quem virei as costas. Vocês sabem quem são

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