Estranhos

Nunca repararam naquela cara familiar que encontram sempre no café do costume?

Eu reparei, aliás, eu tenho o hábito de observar tudo à minha volta, principalmente quando estou sozinho.

Hoje, depois do jantar fui ao café aqui perto de minha casa, onde normalmente vou beber a minha italiana com adoçante. Entrei, fui até ao balcão e pedri o café; enquanto esperava, observei quem estava, quem era, tudo caras desconhecidas, ou então que já tinha visto uma ou outra vez, até que reparei em alguém sentado numa mesa, com uma chávena vazia em cima da mesa, calmamente a ver a bola na televisão e a trocar impressões com outra pessoa na mesa do lado.

Pus-me a pensar e apercebi-me que cada vez que vou àquele café, aquela pessoa está lá sempre. A qualquer hora que eu vá ao café, ele está lá sentado, naquela mesa ou então no balcão, ou mesmo noutra mesa, o importante é que está lá sempre. E aí pergunto-me: Será que não tem mais nada para fazer na vida? Não trabalha? Não tem mulher, filhos? Que estranho, será que anda há anos a viver do subsidio de desemprego? Talvez esteja reformado por invalidez; sim, porque reforma por idade não deve ser, ele aparenta ter uns quarenta e poucos. Alto, magro, cabelo escuro e poucas rugas. Mas se é reforma por invalidez, só se for do foro psicológico, porque fisicamente não parece ter qualquer invalidez. Lá está, as aparências enganam e quem sou eu para julgar os outros. Aliás, eu não julgo os outros, eu tento conhecer, dou-lhes o devido benefício da dúvida e só depois tiro as minhas conclusões.

Não haverá também este tipo de pessoas no café onde costumam ir ao pé de casa?

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