Complexidades

Há quem diga que as mulheres são complicadas, há quem diga que os homens são complicados. Pois eu acho que estão errados, nem os homens nem as mulheres são complicados; o ser humano não é complicado.
O ser humano é um ser complexo, não só a nível físico como também a nível psicológico e mental. Essa complexidade começa logo pela enorme quantidade de ligações neurológicas que são criadas no cérebro de cada indivíduo. Não existem pessoas que se possam classificar como complicadas, aquilo que existe são pessoas simples, mas extremamente complexas e cuja sua maneira de pensar acaba inevitavelmente por complicar as coisas simples.
Eu, por exemplo, não me considero nem nunca considerei uma pessoa complicada; muito longe disso, sou uma pessoa extremamente simples. Por cima disso tenho uma tendência ou vício, se lhe quiserem chamar isso, de tentar simplificar as coisas. Eu pego em situações que são só por si complexas, ou até mesmo complicadas e tento simplificá-las através de um raciocínio lógico, simples e conciso; dou por mim a fazer o mesmo com sentimentos e emoções. Atenção que eu não racionalizo os meus sentimentos ou emoções. Tentarei explicar o que faço:

Ao sentir um qualquer sentimento, tento extraír-me do meu próprio corpo e observar-me por fora, com olhos de observador. Ao observar-me a sentir algo e as minhas reacções a esse sentimento, eu faço-me perguntas, tipo: Porquê? Como? Quais são as consequências? E tento encontrar as respostas a todas as perguntas; tem que ser uma resposta lógica, algo que faça sentido. É claro que nem sempre consigo encontrar essas respostas. Este tipo de observação funciona quase sempre comigo porque sou eu a analisar-me a mim próprio, porque já sei quais serão as minhas reacções aos vários sentimentos e a partir daí faço uma extrapolação de possíveis consequências. Ao tentar fazer isso com os sentimentos de outras pessoas não vai funcionar, porque cada pessoa tem a sua maneira de ser, a sua personalidade e as suas reacções. Pode até funcionar uma vez ou outra, mas só em situações em que já se sabe à partida quais vão ser as reacções da outra pessoa.
Esta complexidade tão característica do ser humano varia muito de uma pessoa para a próxima, e é isso que nos torna a todos tão diferentes e ao mesmo tempo tão semelhantes. Porque apesar de serem complexidades diferentes de pessoa para pessoa, são sempre complexidades. Esse é o ponto comum entre todos os seres humanos.
Eu sempre segui a filosofia de que todos somos diferentes, cada caso é um caso. Ao pensar desta forma estou a aceitar que a mesma situação, com os mesmo actos, com as mesmas consequências, mas praticadas por pessoas diferentes, é uma situação completamente nova, porque as causas dessa situação podem e são na maior parte dos casos diferentes. Por outro lado aceito também que uma situação provocada por uma pessoa, com um determinado motivo ou objectivo, pode muito bem ser provocada uma segunda vez sem, no entanto ter alguma coisa a ver com a primeira. Os motivos podem ser completamente diferentes, as causas, as consequências, tudo; tudo pode ser diferente, havendo apenas uma coisa em comum entre as duas situações: O aspecto exterior dessa situação.

Por exemplo, imaginemos as seguintes situações:

Situação I – Há uma pessoa “A” que de um momento para o outro começa a rejeitar as chamadas telefónicas a uma pessoa “B”, sem qualquer justificação conhecida desta última.
Situação II – Há uma pessoa “C” que de um momento para o outro começa a fazer a pessoa “B” o mesmo que a pessoa “A” lhe fez.

Na situação I a pessoa “A” teve os seus motivos, a situação em si teve as suas causas e houve, obviamente consequências de parte a parte.

Na situação II, apesar de ter acontecido exactamente o mesmo, os motivos que levaram a pessoa “B” a ter aquela atitude, poderão ser completamente diferentes dos motivos da pessoa “A”. As causas da situação I poderão ser completamente diferentes da situação II e as consequências também terão sido diferentes.

Ou seja, aquilo que está por detrás de uma situação não quer dizer que seja o mesmo que está por detrás de outra situação semelhante.

O que eu quero dizer com isto tudo é que não podemos julgar as atitudes de uma pessoa com base em atitudes semelhantes de outra pessoa anterior.
Como eu gosto de citações de pessoas famosas, resolvo criar aqui uma citação minha, num breve rasgo de inteligência.
“As experiências do passado não devem ser usadas como leis para o futuro, mas sim como conselhos para o presente!”

Boa noite.

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