Comentários & Divagações

Na falta de assunto de escrita resolvi fazer um protesto em forma de crítica.
É um protesto que faço à blogosfera, sobre blogs, posts e comentários. Antes de começar a divagar, deixo aqui uma pergunta para todos os blogonautas: Quando chegam a um blog pela primeira vez, lêem o blog por completo e comentam em todos os posts que acham interessantes, lêem apenas o último post e seguintes, comentando apenas nos mesmos ou nem sequer se dão ao trabalho de comentar?

Eu passo a explicar a razão deste protesto, utilizando o meu exemplo:
Quando eu chego a um blog novo, leio o último post e depois, com mais calma leio o blog desde o início (ou quase). Se gostar do blog continuo a ler, se não gostar não volto lá. Naqueles posts que eu acho interessantes, deixo um comentário aos mesmos, isto porque o espaço de comentários está lá para isso mesmo, seja o comentário feito no dia em que o post foi escrito ou meses depois.

Já escrevo este blog há quase um mês (yey, tanto tempo), claro que ainda não houve tempo suficiente para este blog ser descoberto pela miríade de blogonautas, mas mesmo assim consegui ver que houve de facto mais visitas do que eu esperava. Até hoje recebi comentários de três pessoas, mas são três pessoas que eu conheço.

Atenção – Não estou aqui a pedir para comentarem só para alimentar o meu ego. Estou apenas a tentar perceber o que se passa.

Eu tive um blog que durou desde Agosto de 2003 até Agosto/Setembro de 2004, tinha como título “Inteiramente Eu”, eu assinava os posts como EU ou como AnjoCaído e tinha um porradão de comentários em quase todos os meus posts. Actualmente escrevo neste blog “Regresso por Inteiro” e não vejo comentários. A minha escrita está melhor do que no blog anterior, está mais elaborada, a própria técnica está melhor e estou muito mais lúcido, num estado de espírito completamente diferente. Ok, eu admito, sou cagão, o que é muito diferente de ser gabarolas. Voltando ao assunto, nesse meu primeiro blog cheguei a ter vinte e muitos comentários num só post, neste blog o máximo que consegui acho que foram três. Mas eu reparo que isto não se passa só comigo, eu vejo vários blogs de igual ou melhor qualidade que o meu (isso agora já depende dos gostos de cada um), e esses blogs também sofrem do mesmo mal que o meu: escassez de comentários. Isto leva-me a várias conclusões possíveis:

Provavelmente a febre dos blogs está tão espalhada e tão banalizada que as pessoas já não têm paciência para ler blogs, limitam-se a ter um blog, alimentá-lo com textos e fotografias e pronto não se faz mais nada. Ou então pode-se dar o caso de não haver nada a dizer, nada a comentar. Tipo, alguém acompanhar um blog com uma certa regularidade, mas não ser capaz ou não lhe apetecer comentar.
Também se pode dar a possibilidade de todos ou quase todos os blogonautas que chegam a um determinado blog, não gostarem do mesmo e nunca mais lá voltarem.

Eu lembro-me que aqui há um ano atrás, todos ou quase todos os blogs estavam permanentemente cheios de comentários, e era uma coisa agradável de ler. Dava a indicação ao autor ou autora que havia blogonautas a ler e que tinham algo a dizer sobre o que era escrito. Eu não acho que os comentários tenham que ser bajulações, tipo “muito bom”, etc. Um comentário é uma opinião, seja ela boa ou má, desde que seja construtiva, ou até mesmo um simples, “não gostei”. Porque razão é que não se deixa um sincero “não gostei”? Porque há o medo de ferir a sensibilidade do autor ou autora? Se o autor ou autora não gostar de comentários desses é porque é uma pessoa egocêntrica que não sabe respeitar a opinião dos outros. Não é preciso gostar de ouvir essa frase, mas apenas um respeitar a mesma e a pessoa que a escreveu.

Se alguém me comentar os meus textos, a dizer que não gosta ou então a dizer que estou a escrever mal por isto ou por aquilo, eu não me importo minimamente; e se essa pessoa me der indicações sobre o que acha que está mal e sobre como corriji-lo, eu até agradeço. Eu sou uma pessoa que sabe aceitar uma crítica construtiva.

E acho que até podia continuar a escrever, porque de certa forma estou com uma daquelas minhas febres de escrita em que os meus dedos se mexem extremamente rápido pelo teclado, as palavras jorram do meu cérebro para o computador, e à medida que vuo escrevendo uma a uma, vou tendo novas linhas de racioncínio, vou divagando.

Eu lembro-me por exemplo, de um texto que escrevi no meu primeiro blog, que se chamava “Dissecar o meu cérebro”. Foi uma tarefa monstra e mesmo assim não foi concluída. Lembro-me que tentei seguir uma linha de pensamento e que a determinado ponto essa linha já não era recta e começava a ficar curvilínea, até chegar a um segundo ponto em que era um nó; dava voltas no meu cérebro. Recordo-me de sentir os meus processos neurológicos numa actividade frenética, parecia que sentia os meus milhões de neurónios a enviar impulsos eléctricos uns para os outros (Sim, eu sei, sou cagão). Tinha múltiplos pensamentos em simultâneo, ideias percorriam a massa cinzenta e gelatinosa, apareciam e desapareciam; era algo fantástico, tipo um “brainstorming” singular. E depois, de repente tudo parava, o meu cérebro acalmava, largou toda uma energia em palavras, tal como a libertação de energia que se sente num orgasmo. Eu tive o meu orgasmo mental agora, não estou a conseguir escrever muito mais. Fico por aqui então.

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