Preguiça transforma-se em divagação

Estava por aqui, sentado na minha secretária a trabalhar lentamente, com um ataque de preguicite monstruoso. Entretanto ela apareceu no messenger, começámos a trocar palavras sentidas e, de repente, parece que engoli uma caixa de “speeds”, comecei a crescer uma energia dentro de mim. Comecei a trabalhar que nem um doido, as coisas começaram a aparecer feitas à minha volta. Um auscultador telefónico em cada orelha, uma mão no teclado e os olhos divididos por dois monitores. Eu gosto disto, gosto deste stress, principalmente quando o trabalho corre bem, quando as coisas que faço se resolvem bem.
Estava sem inspiração para escrever, o trabalho acalmou um pouco e eu com esta energia toda; apetece-me escrever mas não sei o quê. Peço uma ideia, mas tenho como resposta um “limita-te a ficar aí no silêncio a sentir”. Fez-se luz, o meu cérebro começou a ter várias ideias ao mesmo tempo e lembrei-me logo disto:
“vem aí mais uma divagação”.
A propósito da falta de inspiração para escrever, lembrei-me que eu sempre escrevia mais quando estava deprimido, não clinicamente, claro. Lembro-me que quando estava bem disposto ou alegre não tinha inspiração para escrever. Actualmente isso não acontece, nos dias de hoje, estou completamente apaixonado, extremamente bem disposto, muitíssimo feliz e no entanto consigo encontrar inspiração para escrever. Admito que vou buscar a inspiração à minha borboleta, ao que ela escreve, mas mesmo assim, a inspiração surge.
Como por exemplo agora, estou a escrever que nem um doido, com uma autêntica descarga de ideias; divagando pelo papel digital com os meus dedos. De facto eu gosto de divagações, farto-me de o fazer; mas o mais curioso é que eu divago sem permitir que o texto perca o nexo. Já li divagações em que, as mudanças de raciocínio são tais, que o texto perde o contexto e o nexo. Acho que as minhas divagações têm mudanças de assunto radicais, mas o texto não perde o nexo. Normalmente o salto dado de um assunto para outro completamente diferente cria uma relação entre ambos. Ou seja, há sempre qualquer coisa que liga um assunto ao anterior. Por vezes o que pode acontecer é ninguém além da minha pessoa conseguir ver essa relação, essa ligação.
Imaginemos um raciocínio representado por uma linha recta que por sua vez representa um determinado assunto. à medida que vou avançando nessa linha, vou começando a ver as ramificações que aparecem; sim, porque não há uma única linha de raciocínio directo sem haver ramificações pelo meio. Estas representam as dúvidas que nos surgem ao longo desse raciocínio, e a linha de pensamento segue sempre pela ramificação que escolhemos, ou se lhe quiserem chamar, a opção que tomarmos.
Algures no meio do meu raciocínio, deparo-me com uma ramificação e tomo uma decisão, escolho qual o lado para onde seguir; nesse momento salto automaticamente para uma outra linha recta de raciocínio, e a ligação está única e exclusivamente na tal ramificação. Por vezes saltar de uma linha para outra, sem explicar qual a opção tomada, deixa quem está por fora sem perceber para que linha saltei.
Acho que muita gente vai achar esta divagação difícil de ler, já para não dizer, “talvez secante”. Eu pessoalmente acho que está muito boa, mas eu gosto de divagações, eu adoro escrever sem ter um fim à vista. À medida que vou escrevendo, vou tendo novas ideias, vou saltando de uma linha de raciocínio para outra, vou-me lembrando de outras coisas e continuo a escrever, até chegar ao meu ponto final. Nessa altura, bem posso esforçar-me, tentar pensar em alguma coisa para escrever, bem posso dar cabeçadas na parede; não adianta, acabou, resta-me esperar pelo meu próximo “brainstorm”.

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