Trânsito em palavras

Calmamente parado no trânsito, ouço música e observo os carros à minha volta, condutores completamente stressados. Avenida Marechal Craveiro Lopes, mais conhecida por segunda circular, são aproximadamente seis e meia, o ceu encontra-se coberto de nuvens espessas que dão um tom cinzento à luz deste final de tarde.
Sinto uma mistura de cheiros poluídores, gases vindos dos escapes de automóveis e camiões; à minha direita vejo uma nuvem negra de fumo vinda de um autocarro. Vejo carros a acelararem ao ponto de terem que trabar bruscamente em cima do carro da frente, outros atiram-se de uma faixa de rodagem para outra sem qualquer sinal ou aviso; uns buzinam loucamente, outros gritam e praguejam; de dentro do carro, claro porque no momento em que se apanham fora do carro parecem uns cachorrinhos mansos, só lhes falta abanarem a cauda. A palavra civismo vem-me à mente e lentamente reparo que à minha volta isso não existe. Será que a estrada é um campo de batalha? Será que as pessoas são cavaleiros medievais e os carros os seus corcéis? Quando estou a conduzir numa estrada onde haja algum trânsito considerável, sinto-me a regressar á idade média; só falta mesmo o cheiro a estrume. Sim, porque a falta de banho é uma coisa que infelizmente ainda persiste nos dias de hoje em muitos casos.
Um borrego qualquer acabou de se atravessar à minha frente, obrigando-me a uma travagem brusca, e como se isso não chegasse ainda me insulta. “Os insultos ficam com quem os faz”, penso eu para mim enquanto lhe sopro um beijo (nada irrita mais este tipo de condutor). Enquanto o trânsito anda e pára, vou escrevendo estas linhas; nada de especial, apenas um desabafo.
São agora sete horas em ponto, acabei de estacionar e vou ao supermercado; vou fazer um jantar para três, talvez um dia destes escreva aqui a receita.

Peter
11.05.2005 – 19:05

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