Dissecação cerebral

Domingo, 12.06.2005.

Já escrevi sobre isto em tempos. No meu primeiro blog escrevi um texto intitulado “como dissecar o meu cérebro”, onde tentei analizar a minha maneira de pensar, os meus padrões de pensamento e o meu raciocínio lógico. Tentarei fazê-lo novamente.

O meu cérebro, com todas as suas ligações neurológicas, é capaz de um raciocínio extremamente rápido, que por vezes, não faz muito sentido para os outros. Não o faz devido à rapidez com que eu traço uma linha de pensamento, e também por causa da facilidade com que eu altero essa linha. Ou seja, uma linha de pensamento na minha mente, nunca é uma linha recta. À medida que vou pensando sobre um determinado assunto e tirando as respectivas conclusões, essa linha de raciocínio altera-se, vai curvando e na maior parte das vezes ramifica-se, dividindo-se em várias linhas separadas.
Imaginem um rio com todos os seus afluentes, agora vejam-no no sentido inverso. Começa num ponto só, o estuário e à medida que vai subindo, vai-se ramificando em vários afluentes que neste caso serão o oposto, obviamente.

Além desta, o meu cérebro tem também outras capacidades paralelas e complementares. Tenho a capacidade de pensar nas várias ramificações em simultâneo. Acho que todos os seres humanos têm essa capacidade, no entanto nem todos têm consciência disso e em consequência não as aproveitam.
Se analisarmos bem, o raciocínio lógico do ser humano consiste nisto mesmo, na capacidade de traçar múltiplas linhas de pensamento, pensar nas várias possibilidades ou consequências de uma acção e pensar nisso tudo ao mesmo tempo.

Um bom exemplo do meu raciocínio lógico, com toda a sua rapidez, lucidez e multiplicidade é a minha escrita. Eu vou traçando as várias linhas enquanto escrevo, vou-me lembrando de todas as consequências/causas, e todo o processe se vai desenvolvendo no meu cérebro, em simultâneo. Neste momento, estou a escrever este texto, estou a ter um raciocínio lógico para o fazer e em simultâneo, estou a comer uma torrada e estou plenamente atento e observador em relação ao que me rodeia. Portanto, descrevo no papel a complexidade do meu raciocínio, como uma torrada, reparo no grupo de cinco espanhóis (três rapazes e duas raparigas) que acabaram de sair da sua mesa, após terem bebido os seus cafés, noto que há três senhoras idosas sentadas na mesa do lado a trocarem impressões sobre as respectivas doenças, como soldados que trocam ferimentos de guerra, vejo também o Pedro, empregado de mesa a correr de um lado para o outro, a satisfazer os pedidos dos clientes, reparo no senhor que acabou de chegar com os seus filhos a pedir guloseimas e a dizer-lhes para irem ao balcão escolher o que querem.
Tudo isto foi um processo de várias linhas de pensamento paralelas e raciocinadas em simultâneo. Nunca em algum momento perdi a minha concentração no que estava a escrever. Escrevo agora já em casa, o resto do texto e ainda me lembro de outros pequenos acontecimentos que sucederam enquanto estive no café. Como por exemplo o bébé que chorava ocasionalmente numa mesa oposta do café, o casal que discutia baixinho na mesa à minha esquerda, a senhora que entrou cansada, encostou-se ao balcão pousando os sacos de compras no chão pedindo um café entretanto, o Sr. António atrás do balcão a fazer confusão com os vários pedidos dos clientes, o homem que fica sentado numa mesa sózinho, com a cara quase encostada ao telemóvel, Nokia 7650, carregando nos botões e a fazer gestos involuntários com a cara. E mais uma vez, estou a lembrar-me de todos estes pormentores sem nunca perder o fio à meada do meu raciocínio original.

Será que estou a ser gabarolas? Será que estou a “contar vantagem”? Não, estou apenas a descrever a rapidez e complexidade do meu cérebro. Não é fácil descrever um cérebro como o meu; porque normalmente não o entendem. Estou num momento em que o meu cérebro está plenamente activo, penso em várias coisas ao mesmo tempo, coisas que normalmente passam despercebidas para a maior parte das pessoas, ou então são coisas sobre as quais as pessoas não desejam mostram que também pensam nelas, simplesmente pelo facto de acharem que são fúteis. Há que saber apreciar o tempo que temos, e para o fazermos temos que apreciar todas as coisas pequenas que acontecem à nossa volta. Pressas para quê? Se raciocinarmos bem, não há qualquer necessidade de ter pressa, basta aproveitar o tempo da melhor maneira que quisermos e principalmente da maneira que mais gostarmos.

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