Descrições.

Domingo, 25.06.2005

Lisboa esteve, ou melhor, ainda está quase deserta. Vislumbram-se alguns turistas (a puxar para muitos) e muito poucos residentes. O trânsito no centro da cidade tem sido muito pouco, trazendo um prazr de passear que normalmente não existe.
Estou sentado numa esplanada no chiado, está uma noite agradável, pessoas conversam animadamente nas outras mesas enquanto bebem uma qualquer bebida. Turistas, casais portugueses entre outro tipo de pessoas passeiam pela rua e tiram fotografias a tudo. Recordações de coisas típicas de Lisboa para levarem consigo para casa.
Na mesa oposta à minha está um casal:
Ela – Talvez Britânica, enverga um vestido de linho ou algodão, verde escuro. Um casaco de malha e um cachecol brancos. O seu cabelo castanho claro está apanhado com um elástico quase invisível.
Ele – Moreno, cabelo forte e ondulado, escuro, dando-lhe um ar quase selvagem. Camisa branca, calças brancas abaixo do joelho e alguns pelos de barba por fazer. Ela está encantada com ele, que por sua vez lhe conta histórias, possivelmente sobre a vida dele.

Durante o tempo que passo aqui, já passaram por aqui vários sem-abrigo. O primeiro que me abordou, um senhor com os seus quarenta e poucos anos, mas com aspecto de ter mais. Cabelo e barba grisalhos por causa de pó e sujidade, ambos compridos. Roupas já quase sem cor, esbatidas de tanto uso. Trazia um saco de lona verde as costas, provavelmente continha todos os seus pertences. Fiquei admirado com ele, não me pediu dinheiro, pediu-me apenas que lhe pagasse um café porque achava que pedir algo mais do qeu isso seria abusar (palavras dele). Paguei-lhe um quarto de leite e uma sandes de fiambre. Pegou no lanche, agradeceu-me com um brilho impressionante nos olhos e seguiu caminho.
Entretanto mas sem-abrigo começaram a chegar, na sua maioria pessoas a quem me recuso dar alguma coisa. Homens novos, capazes, podendo trabalhar em qualquer coisa. Ao que parece preferem andar a pedir, provavelmente dá menos trabalho. Um deles acabou de chegar com uma viola, abriu a caixa no chão e começou a tocar e cantar a troco de algumas moedas.
A esplanada começou a encher, na sua grande maioria turistas. Os empregados deparam-se com algumas dificuldades em entender os pedidos.

E assim se passa um bom bocado de noite, na companhia da cidade e do Fernando Pessoa.

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