Internet, mundo virtual.

Há pessoas que levam a internet demasiado a sério. Há até quem viva na internet e para a internet. Refiro-me às pessoas que passam uma grande parte do dia nos chat rooms ou em fóruns. É verdade que são meios de comunicação, onde se podem trocar ideias, discutir os mais variados assuntos e ter conversas privadas com outras pessoas sem haver a necessidade da presença física. Tudo isto é muito bonito, mas há também o lado mau da coisa, como por exemplo a falta de presença física, a falta de identidade real.
Eu não percebo como é que há pessoas que se irritam e atacam umas às outras através desses fóruns, chegam a existir discussões verbalmente violentas de parte a parte. O mais engraçado disto é que vemos uma pessoa a insultar outra que não conhece pessoalmente, não tem qualquer profundidade no conhecimento para saber se, pelo menos, está a atingir o ponto certo; mais engraçado ainda, é quando a pessoa insultada responde à letra.
Eu já passei imenso tempo em chats, enquanto me dava gozo andava por lá, mas quando havia pessoas que me diziam “estou apaixonada por ti” quando nunca me viram fisicamente, nem sequer através de uma fotografia. Estava apaixonada por quem? Por mim? Ou pela imagem que essa pessoa criou de mim? Já conheci imensa gente através da internet, pessoas com quem tive conversas iniciais num chat e que decidi aprofundar esse conhecimento. Houve também pessoas que conheci única e exclusivamente na internet e nunca tive o desejo de avançar com o conhecimento para além do virtual.
Houve pessoas que passaram pela minha vida, que eu conheci através da internet e que após nos termos conhecido pessoalmente deixei de ter contacto pela net uma vez que o mesmo era feito pessoalmente. A uma dada altura da minha vida descobri que nunca conheci realmente essas pessoas, simplesmente pelo facto de eu deixar de estar na net e essas pessoas continuarem agarradas à net. Descobri que essas pessoas tinham uma vida dupla, uma vida real e talvez dolorosa que vivam comigo no mundo real e uma outra vida virtual, muito mais agradável, onde qualquer problema era resolvido com um carregar de uma tecla “delete”. Descobri que eu não tinha qualquer conhecimento dessa segunda vida, ou melhor, até sabia dela, só não sabia da profundidade que já tinha atingido.

Houve uma altura da minha vida em que eu era um utilizador assíduo do messenger, passava uma boa parte do meu dia (não a maior parte) em conversa com várias pessoas, trocava ideias, ouvia desabafos, desabafava (com quem conhecia pessoalmente de confiança). Talvez por ter sido empurrado ou pressionado, deixei de utilizar o messenger, deixei de ser o psicólogo virtual de serviço dos meus amigos (uns virtuais, outros reais), comecei a cortar as minhas ligações à internet com a excepção de algumas coisas básicas. Um ano e alguns meses depois, voltei a registar-me no messenger, mas não o utilizo, simplesmente perdi a pica, deixei de estar disponível para o mundo virtual, tenho uma lista de cinco ou seis contactos (um quinto do que tinha antes). A minha actividade na net actualmente é muito reduzida, utilizo a net para o meu trabalho, para escrever os cerca de cento e oitenta e dois posts que já escrevi nestes últimos três meses (e muitos mais virão), ler alguns blogs e pouco mais.

Sinceramente não percebo como é que alguém consegue viver na net e para a net!!!

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