Histórias

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Começo o dia, tropeço em mim próprio, dou uma cabeçada na porta. Escorrego na banheira e faço uma nódoa negra no braço ao tentar segurar-me à torneira. Saio de casa, entro no carro e vejo que me cortaram os travões durante a noite. Entorno a meia de leite na camisa acabada de vestir. Ao sair do café, levo um encontrão e a alsa da minha mala rasga-se. Regresso a casa para mudar de camisa e distraidamente esbarro com a porta de um carro acabada de abrir, dando uma pancada com o joelho. Ao abrir a porta de casa arranho a mão na fechadura. Quando vou a subir as escadas, escorrega-me um pé num degrau acabado de encerar e bato com a canela no degrau seguinte. Entro em casa, mudo de camisa e ao apertar os botões salta-me um deles. Saio novamente de casa, o tapete foge-me debaixo dos pés e bato com as costas na porta. Ao entrar no elétrico reparo que não tenho dinheiro para o bilhete. Saio na paragem seguinte, consigo finalmente levantar dinheiro após tentar em seis caixas de multibanco. Apanho outro eléctrico, desta vez não tem troco para mim. Fui a viagem toda a discutir com o homem porque ele é obrigado a aceitar o meu dinheiro seja ele de que forma for. Entretanto acabo por chegar à minha paragem e saio sem pagar. Vou a pé até à estação de comboio, quando estou a chegar vejo que o meu comboio está para sair, dou uma corrida e sou atropelado por outra pessoa a correr na direcção contrária e perdi o comboio. Apanho o comboio seguinte, sento-me numa cadeira à janela, pego no meu livro para começar a ler, o livro escorrega-me da mão e numa tentativa de o segurar rasgo uma página. Resolvo guardar o livro de novo. Ao chegar à minha estação de destino, saio do comboio e vejo o autocarro a sair, já não o consigo apanhar. Quarenta e cinco minutos depois apanho o autocarro seguinte apenas para me aperceber que não era o correcto. Saio numa paragem a mais de quinhentos metros do local de trabalho, os quais percorro a pé. Chegado ao trabalho, quase quatro horas atrasado, sento-me na minha cadeira e já estou exausto antes de começar a trabalhar.

Isto foi a história de uma manhã contada à boa maneira de um Sagitário. Em seguida vou contar exactamente aquilo que se passou nessa manhã, mas desta vez contada à boa maneira de uma Virgem.

Acordei, tomei banho, vesti-me e saí de casa. Entro no carro, ligo o carro e apercebo-me que estou sem travões. Vejo o que se passa e verifico que alguém furou o circuito de óleo dos travões. Vou calmamente tomar o pequeno almoço, ligo para o meu amor para lhe dar a novidade. Apanho o eléctrico para o chiado, vou a pé até ao cais do sodré, paro numa tasca a meio para almoçar. Apanho o comboio até Oeiras, vou a pé até ao centro histórico e após algum tempo de espera apanho um táxi para o local de trabalho. Chego ao trabalho com três horas e meia de atraso.

Viram bem a diferença…?!?! É uma diferença tão gira… :o)

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