Tratado emocional

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Sinto-me inquieto. Estou sem saber o que fazer. Sinto energia a acumular dentro de mim e não sei o que fazer com ela. Na verdade não sei bem se é energia ou se será outra coisa qualquer. Mas provavelmente é mesmo energia. É uma vontade de fazer qualquer coisa e na verdade não sei o quê.
Escrever ajuda-me e então é aquilo que estou a fazer. Estou a deitar cá para fora aquilo que estou a sentir. É uma inquietação… Mas espera, pensando bem no assunto nem sequer é uma inquietação; acho que é mais um certo nervosismo. Aproxima-se um evento importante na minha vida. É algo que vai mudar a minha perspectiva em relação a muitas coisas, ou talvez não, não sei. Sei que me sinto nervoso. Estou nervoso por não saber o que aí vem, no entanto sinto vontade de ir.
Sim, é isso, isto é mesmo muito curioso.
Acabei de descobrir porque razão me senti nervoso na Gruta do Lago na Regaleira e porque é que me senti nervoso quando estava a percorrer aquele caminho de terra pelo meio da floresta em Sintra. Era o nervosismo normal associado ao desconhecido. Em ambos os casos eu não sabia o que é que vinha, não sabia o que é que estava mais à frente. Sentia nervosismo, medo no entanto havia algo dentro de mim que me empurrava para avançar, não parei.
Houve duas coisas distintas em ambas as situações. Quando estava a percorrer o caminho de terra, cheguei a um certo ponto em que já não conseguia voltar para trás porque já tinha passado por tantos cruzamentos que já não sabia o caminho de volta para trás. No caso da gruta, apesar de ser labiríntico, sabia que tinha uma saída. Bem, na verdade até no caminho de terra eu sabia que ia dar a algum lado.
Uma das coisas que estava presente no meu sentir, foi o não querer voltar para trás. Apercebi-me que não gosto mesmo de voltar para trás. Emocionalmente não me sinto bem a voltar para trás. E até há algum tempo atrás, racionalmente, a opção de voltar para trás e seguir outro caminho, também não me fazia muito sentido.
Actualmente, continuo com a mesma dificuldade em voltar para trás, emocionalmente falando, no entanto em termos racionais já tenho outro ponto de vista. Afinal, se escolhemos um caminho, seguimos por esse caminho e ao chegar a um certo ponto virmos que esse caminho é um beco sem saída ou então que não é o caminho correcto para nós, não faz mal voltar para trás e escolher outro caminho. O importante é isto mesmo: “Não faz mal”.

Estou a passar uma fase, um processo em que estou a avançar para a frente, enveredei por um caminho e não sei se é um beco sem saída, se é o caminho certo ou errado, mas sei que estou a avançar e em consequência estou a aprender e a evoluír. Vou por este caminho fora, a sentir todo o meu nervosismo mas sem qualquer medo, ou melhor, acho que pela primeira vez na minha vida o meu medo não me está a impedir de avançar, não me está a bloquear, muito pelo contrário, o meu medo está a empurrar-me para a frente. Estarei eu a transformar-me num temerário, num aventureiro? Talvez, é possível. Se bem que na minha infância eu era temeráro, era ingénuo ou inocente, ao ponto de meter conversa com qualquer pessoa que se cruzasse comigo na rua sem ter qualquer consciência ou preocupação sobre o perigo que isso significava. Tive muita sorte, todas as pessoas com quem metia conversa eram… são, boas pessoas. Sim, admito que apesar de toda a minha inocência ou ingenuídade, eu sabia escolher instintivamente as pessoas com quem metia conversa. Se bem me lembro, eu não metia conversa com toda a gente, havia pessoas que me inspiravam uma certa desconfiança e com essas não me metia. Não sei explicar, não tinha consciência dessa desconfiança, era apenas intuíção, era um “gut-feeling”, um sentir que me dizia “aquela pessoa”.

Estou a aprender a utilizar o medo como força em vez de permitir que ele se vire contra mim e me bloqueie no sítio. Apercebo-me que demoro algum tempo a digerir o que sinto e a ganhar consciência disso, no entanto o tempo é relativo. Acho que tudo depende da profundidade a que os sentimentos estão. Há coisas em mim que estão profundamente enterradas, bem no fundo do meu interior, e chegar a essas coisas é mais difícil do que chegar às minhas superficiais. No entanto sinto que estou a conseguir chegar cada vez mais fundo e mais rapido. E isto é uma revolução monstra dentro de mim, mas é uma revolução que é boa.

Estou com medo de percorrer este caminho, mas quanto mais medo tenho, mais o quero percorrer. Talvez eu agora seja um “adrenaline junkie”, não sei.e

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