O meu passeio pela serra

Aqui há uns tempos atrás fui passear à serra; foi um passeio deveras interessante. Saí de casa, meti-me no carro e lá fui eu todo contente a ouvir música. Pelo caminho apercebi-me que o cd estava constantemente aos saltos e pensei para comigo: “estes cd’s são baratuchos mas são uma autêntica bosta. Tenho que comprar uns melhores e gravar tudo de novo”.
Estava um dia porreiro, sol e tal e coiso… bem… quer dizer.. o sol tava lá, só que de vez em quando apareciam umas núvens assim a puxar para o cinzento e o sol aproveitava para apanhar um pouco de sombra atrás delas. Por mim até estava tudo bem, desde que não desse para cair uma chuveirada daquelas que molham um gajo todo.
Entretanto no meio disto tudo acabei por chegar ao sopé da serra; até aqui tudo bem. Mas e agora onde é que eu estaciono? Dei umas voltitas e acabei por encontrar um parquezito de estacionamento no meio do nada. É literalmente no meio do nada…
Eu explico: A serra a que me refiro tem de um dos lados uma estrada que liga Carnaxide a Alfragide, quase no fim dessa estrada há uma zona de vivendas, vive lá o Mozer (acho que é assim que se escreve o nome do cromo da bola) e mais alguns “socialites”. Antes de se chegar a essa zona há o parquezito de estacionamento, o tal que fica no meio de nada.
Bom, estacionei o carro, puz os fones nos ouvidos e toca de ir caminhar ao som da minha música. Ena, ena… a música já não está aos saltos… é o que vale ter um MP3 portátil… mas agora estou eu aos saltos feito cabritinho.
Assim que chego ao sopé da montanha… pois, pois… montanha.. ha ha.. aquilo é uma serrazita com meia-dúzia de metros e altitude, nem sequer dá para sentir a falta de ar. Bem, até dá, se formos a correr até lá acima…
Pronto, cheguei ao sopé da montanha, abri a porta e entrei sem pedir licensa. Encontrei uma placa comemorativa com uns dizeres estranhos sobrepostos por grafitis. Estava assinada pelo primeiro ministro e pelo presidente da câmara, acho que estava ali por causa da inauguração da serra. Ainda fiquei a pensar: “Mas quem é que se lembra de inaugurar uma serra?” enfim… adiante. Entro pela mata adentro, florzinhas, animaizinhos, insectos… yuckk, insectos selvagens!!! Espero que não ser picado. De resto, havia lá bué árvores, e plantinhas e florzinhas e uns sinais assim meio quadrados, brancos com uma risca vermelha por fora. Mais uma vez fique a perguntar-me o que era… Quem é que se lembra de pôr sinais de trânsito no meio da mata? Os sinais estavam todos furados, como se alguém tivesse andado a praticar tiro ao alvo neles. Um pouco mais à frente é que vi uma placa rectangular que dizia o seguinte: “Zona de treino de caça”… quer dizer, não era exactamente isto que dizia, mas era algo de parecido. Nessa altura olhei à minha volta e não vi ninguém. Só faltava aquela músiquinha arrepiante que se ouve nos filmes. Caça?!?! Então houve mesmo alguém a praticar tiro ao alvo com os sinais mais pequenos.
Mas como isso não me assusta, continuei. Pensei, se levar um tiro vou para o hospital e prontes… tá resolvido. Bem, até podia morrer ali, mas enfim… olhando para os sinais todos furados, apercebi-me que ali so´se caçam sinais. E como é uma zona de treino, os caçadores não têm grande pontaria, portanto se algum desses fulanos aparecesse e disparasse contra mim, o mais provável era falhar o alvo e acertar num dos sinais…
Fui subindo pela serra por um trilho, tipo caminho de cabras mas sem as cabras, até que cheguei a um ponto em que o caminho acabava. Para poder continuar em frente tinha que passar por cima de um monte de silvas. Como se isso não bastasse, começou a chover…
Peguei nas perninhas, desci até ao carro e fui-me embora.

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