Condicionalismos e Reflexos

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Se estivermos com atenção há coisas muito curiosas a acontecer à nossa volta todos os dias. São pequenas coisas, simples; estão de tal forma enraízadas no nosso sub-consciente que normalmente nem sequer damos por elas. Há uns dias atrás aconteceu-me uma coisa dessas, curiosa.

Estava com um estado de espírito muito tranquilo; ultimamente tenho estado muito tranquilo. Tenho tido as minhas rabugices matinais ou quando algo não corre bem, mas de resto desde que comecei a aplicar o método “baby steps” as coisas têm-me corrido muito melhor, tenho tido muito mais paz. Anyway… Estava a sair de um centro comercial e ao chegar ao tapete rolante da saída apercebi-me que este estava parado. Havia um casal que estava com o carrinho de compras à entrada do tapete rolante, com medo de entrar, não fosse o carrinho sair por ali abaixo desembestado. Enquanto decidiam se entravam ou não, estavam a ocupar a entrada do tapete, impedido-me a passagem a toda a gente.
Lá consegui entrar no tapete rolante e, como é óbvio, desci-o a caminhar em vez de esperar calmamente que o tapete me levasse ao piso de baixo. Quando cheguei ao fim do tapete saí e senti uma desaceleração nítida na velocidade a que caminhava; quando na verdade não houve qualquer desaceleração, pelo menos significativa. Nesse preciso momento apercebi-me que tinha entrado em funcionamento um dos condicionamentos do meu cérebro.
Ser levado por ou caminhar num tapete rolante é uma coisa que faz parte do nosso dia-a-dia (do meu pelo menos). De tanto andar nestas coisas, sair de um tapete rolante, compenso de uma forma automatica e inconsciente a velocidade a que vou parado para começar a caminhar num chão que não se mexe debaixo dos meus pés.
Este é um processo que já é tão inconsciente como respirar e como tal quando o tapete rolante está parado não deveria ser necessário compensar a velocidade porque é exactamente a mesma coisa que andar num chão normal, no entanto essa compensação é feita na mesma, tudo por causa do reflexo inconsciente.
O meu cérebro sabia que eu estava a caminhar por cima de um tapete rolante. Sabia também que o tapete estava parado, no entanto a primeira informação prevaleceu e então deu ordem ao meu corpo para compensar a velocidade.

Coisas curiosas, não?

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