Ortografias

Já há uns tempos que ando curioso em relação a esta coisa: o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Talvez eu seja um “velho do restelo”, ou talvez seja um purista da língua, não sei bem, mas há certas coisas no acordo com as quais eu discordo.

Remetendo à Base IV: Sequências Consonânticas

Portanto, de acordo com o ponto 1. c) da referida secção: “Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: aspecto e aspeto, cacto  e cato, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro  e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção;
Vamos então fazer um pequeno exercício de acordo com o parágrafo acima.

Ele hoje vem de fato.

Na frase acima eu estou a dizer que ele hoje vem de fato como “vestido de fato” ou será que “é um fato” que ele vem hoje??!?!
Não havendo o “c” antes do “t”, não se percebe nesta frase se estamos a falar de um facto (acontecimento) ou de um fato (roupa).

Claro está que eu tenho a opção de continuar a escrever “facto” em vez de “fato” e assim o farei.
Posto isto há várias palavras que passam a ter dois significados diferentes:

fato – fato (Roupa) e facto(acontecimento)
ato – ato (do verbo atar) e acto(acção)
cato – cato (do verbo catar) e cacto (planta)

Eu entendo que as línguas tenham a sua evolução, aliás as únicas que não a têm são as línguas mortas, no entanto faz-me imensa confusão algumas coisas que constam neste acordo.

É claro que as pessoas que estão por trás deste acordo ortográfico se aperceberam destas coisas (espero eu)

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