Politicas, economias, crises e o povo…

Há muito tempo atrás prometi a mim mesmo que não iria escrever sobre estes assuntos no meu blog; No entanto isso não significa que eu seja imune a eles. Hoje, após mais um e-mail com uma “super” crónica de alguém que não conheço e nunca ouvi falar, resolvi escrever eu a minha própria crónica. Talvez verborreica mas nada metafórica.

Diz-se que vivemos em crise, diz-se que a crise está cada vez pior; As pessoas queixam-se que não ha dinheiro, queixam-se dos impostos que foram aumentados entre muitas outras coisas.

No entanto a população em geral (salvo várias excepções, não quero ser tão generalista), abandona todo este pranto assim que a selecção nacional entra em campo. Durante esses noventa minutos já não há qualquer crise, a falta de dinheiro não é assim tanta que não se possa pagar a bendita mensalidade do “canal de  bola por cabo”, “Impostos?! O que é isso?.”. Entretanto os noventa minutos acabam, tá na hora de ir para o café comentar o jogo e, ou talvez quem sabe, aliviar um pouco o queixume da crise.

Assisto de plateia a uma oposição política deste país que sem ter qualquer força real, está plenamente convencida que “ser da oposição” significa “ser do contra”. Assisto também a uma série de figuras públicas e outras não tão públicas a atacar o Sr. José Sócrates. (Não uso o título Eng. ou Dr. ou outro qualquer porque tanto quanto sei isso não faz parte do nome de uma pessoa). Não estou de forma alguma a defender o Sr. José Sócrates, isso é trabalho dele; estou apenas a tentar entender o que é que passa pela cabeça de meia-dúzia de figuras públicas e não tão públicas e também de uns quantos milhões de Portugueses, para passaram uma grande parte do seu tempo a criticar, a mal-dizer, a tentar “derrubar” a figura que está no poder, em vez de pensarem na sua própria vida.
O que é que me interessa a mim qual é o curso que o Sr. José Sócrates tem? Eu quero lá saber se ele é engenheiro ou não ou apenas diz que é. Isso não vai mudar em nada a maneira dele ser, nem a maneira dele governar.
“Ah, mas a mentira! É inadmissível ter um governante que mente!” Dirão muitos ao ler isto.
Foda-se!!! Quantos neste planeta nunca mentiram?!?! Quantos intrujas não fizeram fortunas com base na mentira? Quantos membros da assembleia nunca mentiram?

E quanto ao povo, esclarecido, iluminado e sabão (para quem não sabe, defino sabão como um sábio que sabe tudo o que há para saber), já vi que não interessa o que é que se passa na vossa vida, o que importa é que estamos em crise, que a coisa “tá preta”, que o governo é mentiroso, blá, blá, blá. e temos que nos queixar disso, temos que nos revoltar contra isso, etc.
Caros Portugueses, se não estão contentes com o nosso governo, porque razão é que votaram nele?! Enfim, se fosse o primeiro mandato, ok, o rapaz era ligeiramente desconhecido, até tinha bom aspecto e tal. Mas não, borá lá elegê-lo uma segunda vez.. irra qu’isto é burrice.!!!
E para quem diz que nem sequer votou só posso dizer “temos pena, para a próxima votem em branco ou na oposição. Talvez assim o actual governo não tivesse sido eleito uma segunda vez”.. mas não, se não houvesse crise e dificuldades e impostos as pessoas não tinha assunto de conversa no café, deixava de haver queixume para fazer. E quanto às figuras públicas e outras não tão públicas, já não podiam escrever grandes crónicas verborreicas e metafóricas a mal-dizer tudo e todos.
É claro que há ainda aqueles que votaram em branco ou na oposição, sim, esses acho que mereceram o direito de se queixarem. Mas mesmo assim, não abusem; demasiado queixume é chato.

Ah, é verdade, já me is esquecendo. A última queixa é o aumento dos impostos.Pois é… que horror, o iva aumentou de 20% para 21%. Em primeiro lugar parece que as pessoas se esquecem que o IVA já esteve a 21% e toda a gente sobreviveu. Em segundo lugar, não é este um por cento a mais que me poderia preocupar. O que me preocupa é que enquanto que o IVA aumenta um porcento, os vendedores, comerciantes, fornecedores, etc. aumentam os seus precços em cinco ou seis por cento. Então afinal como é? Segundo as leis básicas da matemática, se o IVA aumentou um por cento, os preços deveriam, subir também um por cento e os lucros iriam manter-se os mesmos, certo?! Mas não, este aumento de um por cento, é a desculpa perfeita para se aumentar os preços exponencialmente, duplicar ou triplicar os lucros e deitar as culpas na crise e no governo e no aumento dos impostos.

Resumando e baralhindo, estamos em crise, or so they say! Pois eu digo que não; não estamos em crise.

3 thoughts on “Politicas, economias, crises e o povo…”

  1. Xiça penico, que escreveste um daqueles testamentos! XD concordo e eu sim posso falar mal, pois que obviamente votei na oposição e uma verdade que posso constatar é cada vez há menos trabalho pago condignamente, isso sim é grave. Quando vejo casos de pessoas a trabalharem 8h /dia numa loja, onde estão todo o dia de pé, têm 30min de refeição e recebem uns míseros €450. Quanto à crise, acho que essa existe desde que se “inventou” o dinheiro (e porque não ainda na altura do sistema “uma saca de batata em troca de um saco de arroz?). Dizer-se “Estamos em crise” é tão benéfico para uns, como desmoralizador para outros. Cada um que olhe para si mesmo e pense….

  2. Ui, há tanta coisa para dizer acerca de José Sócrates!! Que o governo mente? a resposta é dúbia. Todos os governos usam a chamada “diplomacia”, que é basicamente não dizer nada, usando muitas palavras. Saber usar o discurso. Em que parte do mundo, um político dá uma resposta directa a uma pergunta directa? Tudo isto faz parte da “arte da política”. Nem toda a gente tem este dom.

    A minha família não está em crise económica. A maior parte das famílias em que pai e mãe trabalham não está em crise! Poderão estar em crise grandes empresas, os grandes empresários, mas isso é lá com eles! Os despedimentos em massa, isso é grave, para cada uma daquelas pessoas, individualmente.

    Gosto de José Sócrates. Gosto de pessoas com pulso, pessoas temerárias. Gostei de Cavaco Silva, como Primeiro-Ministro e gosto muito dele agora como Presidente. Como se vê, não tem a ver com partidos políticos (no meu caso), mas sim, com as pessoas em si. É assim que vejo a política. Vejo pessoas e não partidos políticos.

    No entanto, e porque a minha memória não é curta, jamais me esquecerei de um homem pequeno de estatura, de uns intensos olhos verdes e nariz imponentemente grande; um homem que cumprimentei uma semana antes de ele morrer. Nessa altura, era eu social e politicamente activa na JSD, quando conheci pessoalmente esse homem carismático; nunca mais haverá outro – Sá Carneiro. Depois da morte dele, deixei a política.

    E, como há quem goste de dar nomes às coisas, muito bem, então eu sou “carneirista” e serei sempre, porque nunca vou saber como teria sido a minha vida com Francisco Sá Carneiro no poder um mandato inteiro, em Portugal. Talvez hoje eu tivesse um espaço na vida política Portuguesa, quem sabe? Já ia bem avançada aos meus 14 anos!

    Seja como for, hoje em dia estão no poder dois homens que têm o seu próprio carisma: Sócrates e Cavaco Silva. Uma dupla que tem durado e espero que continue a durar.

    Os dois têm pulso, cada um à sua maneira. Cada um na sua função.

    E como o respeito é muito lindo, detesto quando oiço os jornalistas dizer “Cavaco fez… ou disse”…Cavaco Silva não andou com os jornalistas na escola!!!

    O nome dele é Cavaco Silva!! Chamar-lhe Cavaco é o mesmo que chamar-lhe “Aníbal, filho…”

    Que haja um mínimo de respeito, caramba!

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