Há coisas que me fazem confusão.

Afinal somos um País soberano ou nem por isso?
Não tenho o hábito de acompanhar as nótícias, não há pachorra para aturar tanta “crise” e “desgraça” que ocorre por este planeta; no entanto há sempre comentários que se ouvem, conversas de café; não há forma de escapar a saber pelo menos um pouco do que se diz nas notícias.

Ultimamente tem-se “noticiado” que as agências financeiras internacionais nos classificam como lixo.

Em primeiro lugar gostaria de saber quem ou o que são essas agências. Bem, não sou tão burro assim, eu sei que se tratam de uma agências que fornece “Credit Ratings” e outras inutilidades do género. O que eu não entendo é porque raio é que a banca Portuguesa se borra toda (quase literalmente) quando se fala nos ratings de qualquer entidade financeira internacional.
Portanto, se os “carolas” de uma agência destas decidirem que não gostam de Portugal ou da nossa banca, limitam-se a enviar uns relatórios que nos classificam como “lixo” e a nós temos que baixar as calcinhas e rezar para que tenham vaselina?

Pergunto eu: “Devemos algo a estes senhores?”, “Quem é que reconhece a autoridade destas agências?”
Mais importante: “COMO É QUE UMA EMPRESA PRIVADA TEM PODER ACIMA DE GOVERNOS?”
É por ser independente e imparcial? Creio que isso de ser independente e imparcial depende apenas do sítio de onde vem a guita.

Eu considero-me um “analfabruto” no que diz respeito a economia, confesso que é algo que me faz muita confusão. Para mim as coisas são tão simples como: “Eu dou-te pão e tu dás-me leite, etc.”

Vivo num País que tem a sorte(creio que inteligência) de não se meter em confusões, entenda-se com isto: GUERRA; não andamos por aí a invadir Iraques nem outros Países.
É um País onde quem quer entrar pela via de “encher o bolso e entalar o vizinho no processo”, fá-lo sem qualquer problema, desde que o saiba fazer e tenha uma boa dose de falta de vergonha. O pior que pode acontecer é meia-dúzia de cabeçalhos nos jornais, um escandalozeco de segunda e umas quantas horas de má-língua pelos cafés Portugueses.
Um País onde elegemos uma pessoa para Primeiro Ministro (duas vezes) e depois nos preocupamos porque o Sr. Primeiro Ministro mentiu ao dizer que é Engenheiro quando afinal parece que não é.
Um País onde o governo, começando a ver dificuldades financeiras nos cofres do estado, começa a implementar “medidas de austeridade” e cortes orçamentais, os tais PEC (esta sigla parece-me uma coisa bem mais sexual do que propriamente económica, mas enfim), apenas para ver uma oposição que acha que a sua única e exclusiva função enquanto membros da assembleia é “SER DO CONTRA”: “Epá, o governo apresentou esta proposta!”.
Um País onde assistir a uma sessão da Assembleia da República é um dos melhores remédios para insónias que existe. (atenção, acredito sinceramente que há quem tente mesmo fazer algo de útil na assembleia, mas infelizmente não tem força política para o fazer).
Um País onde se falar em “Geração Parva” e manifs e “vamos à luta” e no entanto a dita Geração Parva, limita-se a fazer manifs e (once again) falar mal das coisas nos cafés com os amigos. Ah… além de falar mal nos cafés, agora também se fala mal na net, blogs, facebooks e afins.

Antes de mais, não me estou a queixar. Não tenho o direito de me queixar do governo, ou de como as coisas estão más. Abdiquei conscientemente desse direito quando decidi não votar. Talvez eu pudesse fazer algo mais para mudar tudo, talvez pudesse enveredar pela carreira política; sempre ouvi dizer que para se mudar algo tem que se começar de dentro.
Sim, poderia de facto ir para político, creio que até tenho inteligência suficiente para isso, no entanto não o faço por uma simples razão. Acho que é extremamente desgastante estar a falar com paredes.
Quando por acaso passo com a vista pelo canal da assembleia, ouço alguns segundos, só por curiosidade e a única coisa que vejo são Paredes. Paredes a bater em Paredes.

Temos um partido dominante (o governo) que diz “Sim” e do outro lado temos os restantes partidos (uns com mais deputados que outros), a tal de oposição, que se limita a dizer “Não”; já para não falar nos “mimos” e gargalhadas que se trocam. Creio que nenhuma das partes envolvidas no governo deste País escuta o que a outra parte está a dizer. Limitam-se a “cortar as pernas” uns aos outros.
Enquanto isto tudo decorre, há quem esteja preocupado com o FCP ou com o SLB, há ainda os “resistentes” que estão preocupados que o Sr. Engenheiro afinal não é Engeheiro (mesmo após se ter demitido), há outros que se preocupam com o que dizem as agências financeiras internacionais.

De facto essa do “sermos lixo” é engraçada. Porra, tem andado aqui a bater-me na cabeça. Mas quem é que esses idiotas pensam que são?

No fim disto deixo apenas uma pergunta a todos os portugueses, Governantes, Banqueiros, todos:

Somos um País soberano ou nem por isso?

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