Procura-se escravo

Por acaso não estou à procura de trabalho, mas de vez em quando gosto de ver o que há de ofertas e enviar uns CVs para aqui e para ali.
Hoje deparei-me com uma oferta de emprego (dizem eles) que é das coisas mais absurdas que eu já vi; é algo assim:

Programador de Informática, mínimo 12º Ano de escolaridade, bom conhecimento de Inglês, lido, falado e escrito, com experiência forte em Microsoft .NET 2.0 (ou superior), C#, Microsoft SQL Server 2005/2008, TSQL e Ajax com ASP.NET.
Contrato a termo (6 meses), full-time, 500€ + 6€ de Subs. de Refeição.

Basicamente pedem um supra-sumo da caganita, que saiba programar em várias línguas, que esteja disponível para trabalhar apenas durante seis meses por meia dúzia de tostões.

Esta gente droga-se? Andam, se calhar, a snifar tubos de escape?

Bem sei que estamos em crise, bem sei que as coisas não estão fáceis para as empresas, mas isto é literalmente estar a gozar com uma pessoa. Infelizmente, este tipo de ofertas abundam e dão resultado porque há sempre quem as aceite (não têm outra opção); Sinceramente este tipo de coisas dá-me a volta ao miolo. Não compreendo como é que estamos a entrar num sistema de escravatura paga. E não me venham cá dizer que a culpa é do Sócrates porque este tipo de “ofertas” já existia muito antes desse fulano ter ido para o governo. Não, a culpa não é única e exclusivamente do Governo. A culpa, se houver alguma, é de todos nós.
É de todos nós porque fomos nós que elegemos o governo actual e todos os outros governos desde 1974 para a frente, porque somos um povo que vive da cultura de tentar entalar o próximo (consecutivamente), da cultura da má-lingua acompanhada de umas minis e uns tremoços.

Enfim, nem vale a pena entrar por aí.

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