O passeio

Hoje fui passear, quer dizer, fui levar a minha irmã e a minha sobrinha à Zambujeira do Mar (quer dizer… lá perto), o que acabou por ser um passeio e uma aventura.

Para variar um bocadinho enganámo-nos no caminho e tivémos que andar um pouco para trás. É muito fácil (pelo menos no Alentejo) estarmos numa estrada nacional, perdermos a saída que queremos e só passados muitos kilómetros é que encontramos uma seta ou uma placa qualquer que nos indica onde estamos. Olhamos para o mapa e vemos que já estamos quase no Algarve. Lá se dá meia-volta e pronto, está resolvido.
O regresso já correu sem problemas, porque afinal todos os caminhos vão dar a Roma, ou melhor, Lisboa.
No regresso, vinha a ouvir rádio e, com a tua companhia, foi maravilhoso. Enquanto percorria pelos montes alentejanos, ou talvez, serras baixinhas, vinha contigo sempre presente. As estradas por onde vim estavam praticamente vazias, consegui ver as cegonhas nos seus ninhos em cima dos postes de electricidade; algumas vacas deitadas ao sol, umas ovelhas a pastar e durante todo esse percurso vinha a partilhar a viagem contigo. Ao ouvir a tua voz sentia-me acompanhado, seguro e quentinho. Em vez de ir directo à auto-estrada, vim pela estrada nacional até Grândola; estava já a ficar com um pouco de sono. Acendi um cigarro e senti a falta de um café; afinal ainda só tinha bebido dois cafés e já eram quase sete da tarde. Ao entrar na auto-estrada comecei a andar um pouco mais depressa, ainda cansado e com algum sono parei na estação de serviço em Alcácer do Sal, onde bebi um café e comi qualquer coisa.
Pouco depois de saír da estação de serviço a viagem mudou um pouco; continuava a sentir-me acompanhado, seguro e quentinho, já não tinha sono, estava mais desperto, mas mesmo assim algo mais tinha mudado.
Foi então que comecei a vasculhar dentro de mim para tentar perceber o que era que tinha mudado, e percebi: deixei de ouvir a tua voz e, quando olhei para o relógio vi que eram oito horas. Nessa altura o que eu senti é quase indescritível: Sentia-te a dormir descansada ao meu lado. Estavas com o banco ligeiramente reclinado para trás, a cabeça virada ligeiramente para o meu lado e uma respiração profunda. Dormias que nem um anjo, segura e quentinha enquanto eu conduzia a caminho de casa. É um sentimento tão bom e aconchegante sentir-te a dormir ao meu lado.
É uma companhia que só tu me fazes e que ninguém mais neste mundo faz ou alguma vez poderá fazer.

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