Desert Dreams

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(Push play before reading)
E aqui estou eu a caminhar pelo deserto. O sol põe-se lentamente. Sinto a areia quente nos meus pés descalços. Uma leve brisa bate-me no rosto e brinca com o meu cabelo. Daqui a pouco será noite, já se conseguem ver algumas estrelas no céu, que por enquanto ainda está azul misturado com um vermelho rosado junto ao horizonte. Hoje não há lua, será um belo espectáculo de estrelas durante a noite escura.
Encontro o meu local na encosta de uma duna gigante e deito-me na areia macia. Agarro nela com ambas as mãos e sinto-a escorrer por entre os dedos.
O silêncio que me rodeia é acolhedor, calmante. Não sinto qualquer necessidade de estar alerta, em guarda, preocupação constante, estou apenas atento às estrelas. E elas começam a aparecer, enquanto a luz do crepúsculo desaparece e o céu fica escuro. A príncipio são apenas grupos de estrelas, mas rapidamente se consegue ver a via láctea inteira. Estrelas, nébulas, super-novas; um espectáculo de luz incomparável. E é aqui que me sinto pequenino.
Tive duas oportunidades de ver este espectáculo, num deserto molhado; bem no meio do Oceano Atlântico. Em ambas estava a bordo de uma “lata” com cerca de 200 pessoas a bordo, das quais apenas algumas eram pessoas com quem ainda mantenho laços fortes de amizade. Essas pessoas estavam lá para ver e partilhar esses momentos comigo e no entanto eu sentia falta de algo.
Já sabia da falta que sentia há bastante tempo, mas estava a custar-me aceitar isso e entender de onde vinha; entender o que era na sua plenitude, entender o que seria necessário fazer. A resposta reside em mim. E cabe-me a mim abraçar essa resposta e colocá-la em prática. Este fim de semana foi um passo muito importante nessa direcção; a minha armadura rachou e revelou um pedaço de mim. E eu vejo algo em mim que já não via há muito tempo. E sinto-me grato por isso. O universo mostrou-me que aquilo que eu não achava ser possível, afinal é.