Peace

Tenho estado num estado de calma que não é norm… habitual em mim. Quero deixar de usar a palavra “normal” o mais possível; é uma palavra que implica haver uma norma, que é definida por alguém ou por mim mesmo. A minha norma pode e certamente é diferente da norma do resto das pessoas. Mas eu divago… Como disse, tenho estado com uma calma e paciência que não é muito habitual em mim. Quando eu digo que não é habitual, não sei se é a descrição correcta. Eu sou uma pessoa até muito paciente e calma, tenho no entanto um fogo dentro de mim que anseia por sair cá para fora. A minha criança interior. E em algumas situações eu posso ficar nervoso. Por exemplo, quando estou no transito, há muitas atitudes que me incomodam, e se eu estiver sozinho no carro tenho a tendência para verbalizar o meu “descontentamento” para o ar. Sou das coisinhas mais refilonas que existe.
Esta semana, tenho reparado que assisto aos mesmos comportamentos que me deixam incomodado ou irritado e não sou afectado. Eu vejo-os, reconheço-os e deixo-os passar. Continuo a não gostar deles, mas simplesmente não me deixo afectar. Tem sido um exercício muito interessante. Há alturas em que a minha primeira reacção ainda é começar a refilar ou ficar descontente, mas imediatamente a minha consciência me faz parar e eu deixo a coisa passar.
Já tentei esta prática de não julgar e não refilar, mas não obtinha estes resultados nem me sentia assim tão … em paz.
Bem sei que há vários outros sentimentos que me preenchem actualmente; sei também qual é uma das coisas que me deixou neste “estado de graça”: o retiro. Foram quatro dias que não dá para descrever em condições, o vocabulário que tenho não é suficiente. Conheci pessoas maravilhosas, fiquei a conhecer melhor uma amiga de longa data, ou melhor vi claramente aquilo que eu já tinha visto escondido há tantos anos atrás. Encontrei em cada uma delas algo com que me identifico, senti-me aceite, nunca em algum momento me senti julgado e principalmente não senti a necessidade de me defender ou mais “pesado” ainda, não senti a necessidade de me explicar.
Quando me decidi a participar, fui completamente à descoberta, nervoso, sem saber o que esperar, mas sem medo. Foi, para mim, uma grande vitória. Assumo que foi um acto de coragem e compensou. Se compensou!
Encontrei-me, descobri-me, identifiquei-me, reconheci-me e aceitei-me.

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