Serenity

Um novo dia, uma nova semana, após um fim de semana preenchido. Fui visitar sítios que me encheram de nostalgia e sítios que simplesmente me deixaram sem palavras.
Visitei o museu de marinha, o que me trouxe nostalgia em relação aos meus tempos no mar. Meditei no jardim de Belém, o que foi para mim um desafio muito interessante. Consegui meditar num sítio onde o calor estava quase insuportável, onde a multidão de gente era quase demasiada e isto foi para mim desafiante, sendo que eu sou muito sensível ao ruído. Escolhi uma sembra de uma árvore, sentei-me e comecei a respirar de uma forma plena e consciente. Comecei a integrar o calor e o ruído no processo meditativo. O ruído está lá, não podes fazer nada quanto a isso, simplemente reconhece o ruído e deixa-o ir. Os comboios a passar por trás de ti, os carros na marginal, as crianças brincam e os cães ladram; faz tudo parte, integra tudo.
Pouco tempo depois era como se tivesses criado uma bolha à tua volta que te protege. Essa bolha deixa passar todos os sons, mas é como se os deixasse impotentes para te afectar. Meia-hora de meditação guiada e quando finalmente abri os olhos reparei que havia de facto um circulo enorme à minha volta onde não havia ninguém, era quase como se as pessoas de alguma forma tivessem sido gentilmente afastadas por uma energia qualquer.
Acabada a meditação fui então ao planetário ver um “show” de vinte minutos. Sentei-me a olhar para a cúpula esferica e aguardei pelo começo do espectáculo. A princípio surgiu apenas uma projecção de um vídeo da ESA sobre a Terra vista do Espaço. Foi uma pequena desilusão, esperava que não fosse só isto. Assim que o vídeo acaba tudo fica escuro e num instante milhares de estrelas aparecem na cúppula do planetário. Nesse preciso momento senti as lágrimas a formar-se nos meus olhos, a beleza do universo ali, exposta perante os meus olhos. Memórias das noites que passei deitado no convés do navio a ver o universo da mesma forma. Só me faltava ali o aroma do oceano e o suave embalar das ondas. E continuava a faltar-me o mesmo que me faltou nessas noites: alguém especial com quem partilhar tudo isto.

Tive uma semana de reflexão, descoberta e, talvez, consolidação de sentimentos. Consegui olhar bem para o meu interior profundo e ver o que é que lá está e, principalmente, o que sinto falta. Entendi que estou de facto a sentir-me atraído por ti. Entendi que não conheço o suficiente de ti para que isto faça algum sentido e no entanto é o que sinto. Mantive um longo debate interior para tentar fazer algum sentido disto tudo, se não seria apenas um sentir falta de algo tão forte que simplesmente eu aceitaria ser preenchido por qualquer um e depois de deitar fora todos os racionalismos, todos os diálogos e pensamentos olho para o que ficou. Algo me liga a ti, algo me atrai. Há já algumas coisas em ti que me estão a atrair fortemente, coisas que eu consegui vislumbrar ainda que apenas por breves momentos.
Noutras épocas de minha vida isto teria sido uma fonte de ansiedade para mim; no entanto, agora apesar de estar ansioso, sinto-me tranquilo e sereno. Tenho a sensação de estar em equilibrio. Reconheço o que sinto, vejo-o e não luto contra isso. Ainda me é difícil falar sobre isso portanto escrevo. Escrever sabe bem, podemos largar para a escrita tudo aquilo que nos vai na alma e sabemos que há sempre aquela incerteza de não sabermos se a pessoa de quem falamos leu o que escrevemos, ou até mesmo se percebeu que é sobre ela que escrevemos. Há todo um mundo de possibilidades.

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