Silêncio

Falo sem produzir qualquer som. Escuto-me sem me ouvir falar. Tenho diálogos, monólogos, conversas comigo próprio, meditações, pensamentos, sentimentos.
Tudo isto existe sempre dentro de mim, umas vezes acumula-se e viaja a velocidades incríveis, outras vezes sinto a minha mente a abrandar e tudo isto quase que desaparece. Não é propriamente desaparecer, fica tudo apenas reduzido a começos que não terminam. Pelo menos, de uma forma compreensível, pensamentos começam vívidos, claros e a meio dissipam-se sem terem um fim inteligível. Nesse momento fico quase num estado de apatia consciente. Ouço, vejo e sinto tudo à minha volta. A minha respiração abranda, o coração bate mais devagar, os meus olhos começam a piscar em câmara lenta e no entanto enquanto escrevo isto parece-me que os meus dedos se mexem à velocidade da luz. Sinto a minha pulsação, o sangue a percorrer as minhas veias e quase que consigo visualizar todos os impulsos eléctricos que percorrem o meu corpo.

Encontro-me num estranho equilibrio, sei exactamente o que sinto, o que quero, o que me faz falta. Não sei ainda como fazer para encontrar o que me falta e no entanto uma coisa destas que noutra altura da minha vida me deixaria extremamente confuso e com medo, neste momento deixa-me tranquilo. Ansioso, sim, mas tranquilo. Nervoso? Sim, claro, é natural. Mas é assim que vejo o meu equilibrio de momento, estou no centro da tempestade.

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