Anywhere Out Of The World

We scale the face of reason
To find at least one sign
That could reveal the true dimensions
Of life lest we forget

And maybe it’s easier to withdraw from life
With all of it’s misery and wretched lies
Away from harm

We lay by cool still waters
And gazed into the sun
And like the moth’s great imperfection
Succumbed to her fatal charm

Any maybe it’s me who dreams unrequited love
The victim of fools who watch and stand in line
Away from harm

In our vain pursuit
Of life for one’s own end
Will this crooked path
Ever cease to end?

Várias vezes encontrei conforto nesta música.. Não, se calhar não era conforto. Talvez fosse identificação. Sim, era isso mesmo. Várias vezes ouvi esta música, escutei a sua letra e aquilo que me apetecia era retirar-me da equação complexa que é “viver”. Não eram desejos suicidas, nada disso. Eu já tive pensamentos desses na minha vida e não teve nada a ver com o que está descrito nesta letra. É simplesmente um desejo profundo de transcender deste mundo físico e ser verdadeira e totalmente livre.
Esta música tem uma letra muito tétrica, diz-me quem a escuta a não a sente. No entanto isto não é morbido, é escuro, talvez, mas nada tétrico. São dúvidas existênciais, são perguntas ao universo, não sei o que é mas sinto-me identificado com isto muitas vezes.

Já tive pensamentos suícidas, no entanto nunca os levei em diante, não deixei que se transformassem em desejos ou objectivos; amo demasiado a vida. Há alturas na nossa vida em que a única coisa que nos apetece é mesmo, desaparecer, deixar de interagir com os outros. A interacção social é tantas vezes uma coisa desgastante. Ter que manter a aparência constante de “estar tudo bem”, um sorriso falso para enganar os tolos, o esforço que representa fazer conversa de treta, já para não falar nos sugadores de energia. Se não nos protegermos disso acabamos completamente esgotados.
Lembro-me tantas vezes de ir sair com amigos porque tinha que ser, porque “é fixe ir a eventos sociais”, porque sou considerado um ser anti-social ou até mesmo antipático se não for e se não apresentar o sorriso amarelo. Tantas foram as vezes que eu simplesmente disse, não me interessa o que os outros pensam de mim, não me apetece ir para um jantar com cinquenta pessoas onde tudo é ruído, espaço pessoal é algo que não existe, onde não posso ficar sossegado no meu canto durante mais do que cinco minutos porque vem logo alguém perguntar-me porque é que pareço triste ou porque é estou a ser anti-social. Tudo isso é um esforço enorme para mim.

Lembro-me dos jantares em casa da Rute, todos eles fantásticos. Não havia qualquer esforço, a energia fluía de uns para outros sem haver alguém a absorvê-la toda. Se me apetecesse estar sossegado no meu canto as pessoas não me vinham chatear com isso, apenas perguntavam se eu precisava de algo e deixavam-me estar. São poucos os sítios em que consigo estar assim, sem me cansar. Os quatro dias que passei na Ericeira foram assim, sossegados, sem esgotamento de energia, aliás, muito pelo contrário; foram quatro dias extremamente nutritivos para mim e creio que para todos os presentes.

Tenho estado a alimentar-me há mais ou menos um ano e devagarinho apercebo-me da falta de energia que eu tinha.
Quero mais, agora que despertei o meu apetite energético e emocional, quero mais. E vou tendo. Aos poucos, dando os meus “baby steps” vou-me alimentando.

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