Promessas

Há promessas que são feitas para não ser cumpridas. São promessas que vêm cheias de intenção de ser cumpridas; quando são feitas, a pessoa não está a pensar que não as vai cumprir, muito pelo contrário, a ideia é mesmo cumprir essas promessas e no entanto acabam por não ser cumpridas. Porque é que isso acontece? É simples, a vida mete-se no caminho. Coisas acontecem, há que pôr a roupa a lavar, fazer o jantar, já para não falar em coisas combinadas com amigos ou família, enfim, muita coisa a ocupar-nos ao mesmo tempo.

E no meio disto tudo as pessoas continuam a dizer “agora não posso, mas prometo que mais logo o farei!”. A maior parte das vezes, se não todas, são coisas pequenas, sem importância ou mesmo insignificantes e no entanto por muito pequenas que sejam, magoam. É apenas um arranhão, nada de especial e mesmo assim dói que se farta. São arranhões que todos juntos ao longo de uma vida se traduzem em algo muito maior do que um simples arranhão. E é isso que me vai afastando das outras pessoas.

Eu sei, não posso esperar que as pessoas adivinhem o que estou a sentir e honestamente, não espero. No entanto posso esperar que as pessoas não façam promessas que não podem cumprir. Eu já o fiz, demasiadas vezes e no entanto tento evitá-lo a todo o custo. Há quem me diga que eu me preocupo demasiado com os outros e nada comigo e em muitas situações isso é verdade, no entanto ao preocupar-me com os outros estou a preocupar-me comigo. Magoar outra pessoa, principalmente alguém de quem eu gosto, magoa-me de uma forma indescritível. A responsabilidade que assumo torna-se demasiado pesada.

Ao longo de toda a minha vida, promessas foram feitas e quebradas, e eu deixei passar. Será este um caso de uma pessoa estar a “comer” por tabela? Não creio, até porque eu não vou fazer muito mais do que escrever estas palavras. Mas cada vez que isto acontece, eu fecho-me um pouco para quem quebra as promessas que me faz, e não se trata de ir acumulando ou contando as vezes que isso acontece. Não sei quantas vezes aconteceu e quem o fez, sei apenas o que sinto.

Sou demasiado sensível a algumas das coisas que me dizem ou prometem, as pessoas não têm culpa ou responsabilidade nisso. Ninguém adivinha. E eu faço o quê? Pergunto-lhes mais tarde se vão cumprir o que prometeram? Não pai de ninguém para ter que andar atrás das pessoas. Além disso, claro que há uma explicação perfeitamente lógica e válida para o sucedido. A vida meteu-se no caminho. Isto é tudo tão pequenino. Eu mais coisas em que pensar do que estar a prestar atenção a estas ninharias.

Sempre achei que tenho choro fácil e esse tem sido o caso ao longo da minha vida, mas nestas últimas semanas tenho tido vontade de chorar e não consigo. Sinto o nó na garganta, os olhos a incharem mas as lágrimas simplesmente não caiem.

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