Tratado sobre escrita criativa ou as divagações de um doido.

Quando se trata de escrita criativa vale tudo, aliás até na escrita não creativa tudo é válido, a não ser talvez em algumas excepções como escrita técnica, documentação, etc. em que há regras que devem ser cumpridas de forma a que o que é escrito seja compreendido, além de ser dirigido a uma audiência muito específica. Já no caso da escrita criativa, lírica, poética, prosa, não há uma audiência a quem o autor se dirige, pelo menos não sem a sua intenção. Daí eu dizer que vale tudo.

De acordo com várias definições encontradas na internet, a escrita criativa não tem um estilo ou um género literário atribuído, é toda a escrita que deriva da imaginação do autor, não técnica portanto. Naturalmente que cada um terá depois a sua própria definição.
Considero um bom exemplo desta escrita um autor pegar num assunto que se resuma apenas a uma ou duas frases e que escreva uma crónica à volta disso. Há bons exemplos destas crónicas na nossa cultura, com autores cujo nome não irei referir. Seria uma lista demasiado longa.

E de repente quando começamos a escrever sobre a escrita e a meio do que escrevemos deixamos de saber o que dizer mais sobre o assunto. Sim, isso também acontece, o tão famoso bloqueio de escritor. Comigo, eu descobri que numa situação destas há várias técnicas para a resolver:

Em primeiro, começo por escrever tudo aquilo que me vem à cabeça sem me preocupar com o assunto em si, não interessa se está relacionado com o que estava a escrever antes ou não, basta apenas que os dedos continuem a bater nas teclas do teclado para produzir letras no computador. Reparem que estou a utilizar uma descrição excessivamente pormenorizada do que estou a fazer. Isto é propositado, a intenção é forçar-me a escrever algo para recuperar o assunto em causa ou então a encontrar outro assunto para escrever. Caso esta técnica funcione, rapidamente continuo a escrever e a retirar o prazer que sempre retiro da escrita.

No caso de não conseguir recuperar o assunto anterior e a minha mente se deviar para outro assunto que pode ou não estar logicamente associado ao anterior, a ideia é continuar a escrever e desta vez a desenvolver o novo assunto. Como por exemplo, imaginemos que agora me dava para começar a escrever sobre batatas.
Sim, porque as batatas são muito importantes para a nossa vida. Além de nos alimentarem, são uma fonte preciosa de Hidratos de Carbono, também servem para todo o tipo de utilizações fantásticas. A batata é também utilizada para fazer vodka; há sempre quem goste de uma boa pinga. E há mais: Há pessoas que são uns autenticos batatas. Ah.. não, isso é bananas. É outro tipo de fruta. Pois a batata é chamada de “maçã da terra” em francês. Não creio que isso a qualifique como fruta, mas fica lá perto.

E assim vai a escrita da batata, a fruta que não é fruta mas está lá perto.

Ainda ha uma outra técnica que é simplesmente parar de escrever e voltar a tentar mais tarde. Se bem que esta não funciona lá muito bem porque muito raramente voltamos a escrever sobre o assunto original: a batata, um fruto que não é fruta. Ah, espera… o assunto original era a escrita creativa.

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