Rabugices – Parte I

Life flows like a river. Always…

Amanhã é sexta-feira e depois vem o fim de semana… yay.

Tenho muito para fazer, tenho muito que posso fazer e no entanto pouco importa o que quero fazer e o que tenho para fazer não me apetece fazer. Durante a minha semana vou-me mantendo mais ou menos em silêncio, o pouco que falo é do dia-a-dia, a pedir o café, pagar, agradecer ou então coisas do trabalho. De resto, troco meia-dúzia de palavras com o gato e escrevo. Escrevo aqui, troco algumas mensagens no telemóvel e … silêncio. Quando chega o fim de semana tenho umas horas no sábado de manhã em que de facto converso com alguém. Falo, digo as minhas coisas e ouço, principalmente ouço.

Por isso mesmo sempre disse e sempre soube. O silêncio para mim, é fácil, faz parte da minha natureza. Eu gosto de silêncio, não aguento ruído. E no entanto heis que me encontro com saudades de falar, conversar, despejar tudo cá para fora numa verborreia quase interminável. E é aqui neste ponto que fica o centro de toda a questão. Eu quero falar, quero conversar e quero ouvir, mas não o quero fazer com qualquer pessoa, quero fazê-lo contigo, quero conhecer-te. Sim, o que conheço de ti ainda é muito pouco para poder dizer que te conheço. Já sei de algumas coisas que vou apanhando aqui e ali, vou intuíndo outras, mas sei que tu és um universo muito mais vasto e bonito que eu ainda não conheço.

Provavelmente não sabes de quem estou a falar e também não será algo que eu vou revelar aqui, isso será coisa para revelar frente-a-frente se essa oportunidade surgir. Vou tentanto timidamente falar contigo, conhecer-te, conversar, mostrar-me, dar-me a conhecer também, mas não é fácil. É que eu sou muito tímido e muitas vezes atrapalho-me no que dizer. Na verdade eu sei exactamente o que dizer ou melhor, o que quero dizer, a dificuldade está no começo. É como se eu conhecesse todos os finais de frases sem conhecer como começam. Não, também não é isso.

Raios, como é que se explica isto?

Algures dentro de mim, há um momento para tudo, há alturas para dizer o que sentimos e outras em que é para ficar calado e acho que há periodos de transição. Um começo de conversa, nada de especial e daí a conversa cresce, evoluí e então chega a altura de dizer tudo. Eu só conheço os extremos. Eu fico na tímidez, sem saber o que dizer, sem jeito e tal e coiso e de repente “despejo” o meu sentir cá para fora, tudo aquilo que quero.

Há o exemplo mais simples e subtil da minha ida ao retiro. Andei a matutar, tímido: “só conheço uma pessoa, não conheço mais ninguém”, “e depois o que é que digo”, “e se sou demasiado excentrico ou demasiado certinho”… isto passou-se tudo na minha cabeça e assim de repente decidi “eu vou”, “que se lixe.. vou lá por causa de mim e não por causa dos outros”.

Tudo isto são dúvidas e questões, muito provavelmente, infantis… pois é. A minha criança interior está muito bem de saúde e é ela que me mantém assim, puro, sem maldade. E eu sei ser maldoso, oh se sei. Quando quero, sou mesmo um FDP.

Mas eu divago. O ponto aqui é muito simples. Eu quero conhecer-te e vou fazer por isso, ainda não sei bem como fazê-lo, provavelmente abro a goela e sai tudo cá para fora.

É curioso, há pelo menos uma pessoa que sabe a quem me refiro. A primeira pergunta que me foi feita foi se eu não estaria a projectar ou idealizar um amor. Não, não estou. Sinto uma atracção, isso é mais que claro para mim, mas não estou a projectar nada, não estou a idealizar, aliás até estou com os pés bem assentes na terra. A única coisa que quero mesmo é deixar-me atrair. Há outra pessoa que poderá saber a quem me refiro, ou pelo menos sabe o que sinto.

A dada altura, quando me perguntaram se não estou a idealizar, passou-me pela cabeça uma certa sensação de “deja-vu”, pensei “oh não.. not again!”, mas não, não é outra vez. Não me apaixonei de novo… ainda. Sei que corro esse risco, no entanto é um risco que estou disposto a correr. A verdade é que tu fazes-me sorrir e tudo isso com as pequenas coisas em que eu reparo.

Como disse, não creio que saibas que estou a falar de ti, até porque tanto quanto sei apenas duas pessoas passam por aqui para me ler e apenas uma delas com regularidade (acho eu) e penso que não sejas uma delas. Se calhar estou redondamente enganado e tu já estás a ver o filme a milhas de distância. Seja como for, não é isso que me preocupa. O que me preocupa é como é que vou chegar a ti.

Não sei como mas sei que vou fazê-lo.

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