Infinity

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Consigo olhar à minha volta e ver tudo o que acontece, apercebo-me claramente das coisas e pouco ou nada posso fazer. Projectos que não andam para a frente, passos que são dados para a frente mas parecem ser apenas para o lado. E no entanto no meio disto tudo estou tremendamente calmo; não estou em controlo de quase nada e isso não me está a incomodar nem um pouco. Espero que as coisas aconteçam, toco à campaínhas nas portas que quero abrir e aguardo que atendam do outro lado.

Sentimentos que não estão a crescer e que no entanto também não estão parados; imagino tudo aquilo que sinto como se fosse água no oceano à noite, iluminada por uma lua cheia e gorda. Todos os meus sentimentos são como ondas num movimento constante, fluídos e oscilantes. Sou embalado por eles enquanto olho para o horizonte em antecipação do que poderá vir. Não há espectativa, não espero nada e no entanto espero tudo. Mas sei que não vou ter desilusão, porque mesmo que o que vier não seja bom, faz parte disto tudo. É entendido e aceite sem qualquer resistência.

Já andava para voltar a compôr uma música destas há algum tempo. Procurei na minha criatividade, foram-se formando várias ideias na minha cabeça e sempre sem dar grandes frutos; eram apenas isso. Ideias.

E hoje, sem ter qualquer ideia, comecei a explorar sons, a criar samples e acabou por sair esta “Infinity”. Como sempre, deu-me um prazer imenso compô-la, fazer o arranjo, o ritmo. É uma música para viajar. Fechar os olhos, ouvi-la calmamente e deixares-te ir sem qualquer destino definido. O importante é apreciar a viajem, observar o caminho percorrido. Podes meditar enquanto ouves a música, são cerca de onze minutos e meio, o tempo médio de uma meditação.

Começa por te colocares numa posição confortável. Sentado(a), deitado(a), como preferires. Fecha os olhos e respira calmamente. Foca a tua concentração na respiração, sente o ar a entrar nos teus pulmões e a empurrar o diafragma para baixo à medida que o teu peito se enche. Absorve o ritmo da música, integra-o no processo de respiração consciente mantendo-a calma.

A tua mente poderá tentar fugir para outros lados, começas a pensar noutras coisas, talvez estejas a ouvir outros sons lá fora. Não faz mal, integra tudo no processo da tua respiração. Se te apetecer mexer o corpo ao ritmo da música, bater o pé ou o dedo, não faz mal. Aceita isso, é o teu corpo a reagir. E mais uma vez, integra tudo no processo meditativo da respiração. Não forces um estado meditativo ou de relaxamento, deixa-te simplesmente estar. A meditação é apenas um processo de aceitação, de integração. Aceitando que poderás estar num estado mais nervoso ou ansioso, estás a dar o primeiro passo para sair desse estado. E no meio disto tudo, respira, com calma sem forçar nada. Podes sentir a necessidade de supirar ou mesmo de bocejar, é normal. É sinal que além de estares a oxigenar o teu cérebro, estás a começar a relaxar. Quando deres por isso, estás quase a dormir. Boa, a música embala e ajuda a adormecer.

A música está quase a chegar ao fim e tu deverás estar num estado relaxado mas alerta. Podes abrir os olhos devagar, esperguiçar-te, esticar-te, aquilo que te fizer sentir bem. Tenta não te levantares muito rápido, podes ter uma quebra de tensão.

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