Domingo

Acordo. São seis da manhã. Está frio. Luto comigo próprio na decisão de me levantar ou não. Vou ficando deitado, quentinho debaixo dos lençóis. A cabeça nem sequer precisa de um empurrão, começa logo a andar a mil à hora. Acho que a minha cabeça vai dos zero aos mil em três milissegundos.

Levanto-me e vou até às cozinha, faço café, ponho fruta na mesa e sento-me com a cabeça a mil e a escrever isto.

Há uma luta enorme dentro de mim, algo que já dura há muito tempo. Uma luta entre aquilo que eu desejo e aquilo que é melhor para mim. Normalmente ganha o que eu desejo, mas isso não significa que eu tenho o que desejo. Principalmente porque o que eu desejo, vem de onde isso não existe. O que eu quero não posso ter.

À medida que o tempo vai passando, eu vou-me rendendo de uma forma muito relutante às evidências. Não fui feito para ter o que desejo. Eu mereço ter o que desejo, no entanto acho que o universo gosta de me pregar piadas cósmicas.

Não estou a entrar num processo de “self-pity” estou apenas a sentir-me triste, desiludido, frustrado com tudo e, principalmente, muito cansado. Estou emocionalmente de rastos. Qualquer ponto onde eu toque, dói…

E não vi a matrícula do camião que me atropelou.