Mimo e carinho

Durante uma vida inteira eu vivi a sentir que precisava de pedir mimos se os quisesse. De uma forma estúpida eu achava que se não “mendigasse” mimos ninguém nos dava, nem a própria família.

De a maneira ainda mais estúpida a vida fartou-se de me dar pontapés em vez de mimos e eu não os pedia porque sabia que não tinha que os pedir.

Foram muito poucas (conto-as pelos dedos das mãos) as pessoas que me deram um abraço só porque sim. A maior parte das pessoas que passaram pela minha vida e que me abraçaram foi sempre em troca de algo que eu fiz por elas em vez um simples abraço só porque apetecia.

“Isto é algo que tens que trabalhar e resolver contigo”… Dizem-me muito isto. Como é que eu resolvo isto? Como é que eu faço alguém abraçar-me só porque sim? Se estou a precisar de um abraço terei que o dizer a alguém, certo? As pessoas não adivinham. Mas isso é “mendigar”.

Que se lixe… Sabia-me mesmo bem um abraço agora.