Mimos

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Mais uma vez esta semana o meu diafragma cedeu. É um nó que se forma um pouco abaixo do externo que de repente se desfaz e deixa passar uma avalanche de lágrimas. E é difícil de parar… foram mais de trinta anos a construir estas barreiras, a erguer as muralhas e agora… agora estou a deitar tudo abaixo; vem tudo cá para fora.

Há quem me diga: “Também! Não era preciso seres tão bruto contigo próprio!”. Não, se calhar não havia necessidade disso. E no entanto não consegui encontrar outra maneira de fazer isto. Espreitei apenas pelo buraco da fechadura e foi como se algo me puxasse para o outro lado e eu não consegui parar.

Ainda bem que não parei… Ainda bem que me deixei ir. Choro que nem um desalmado, dia e noite… dou por mim durante um dia de trabalho, a refugiar-me na casa de banho para chorar. Choro agora enquanto ouço esta música, o meu gato aproxima-se, mia como quem pergunta o que se passa. Salta para o meu colo, enrosca-se e deita-se nas minhas pernas. Olha-me nos olhos com aquele olhar intenso e leal que só ele tem e repousa o queixo em cima da minha mão. Sinto a sua patinha apertar-me a perna com as unhas sem nunca magoar; como um carinho que …

Choro, sinto-me triste e no entanto estou bem… estou no caminho certo… estou a tomar conta de mim e principalmente, estou a mimar-me…

Porque se eu não me mimar, ninguém o fará por mim…