Pequeno desafio

Dei-me cerca de cinco minutos para escolher uma música e escrever algo enquanto a ouço. A música já está escolhida: Desert Dreams, uma composição minha com uma duração de oito minutos e vinte e seis segundos, restando-me então este tempo para escrever qualquer coisa.

Claro está que já escrevi um parágrafo, no entanto não é bem esse o assunto que me leva a escrever; na verdade ainda não sei bem qual é o assunto. Ultimamente tenho escrito muito sobre raivas, dores, frustrações, coisas que tenho sentido e hoje não será muito diferente disso… continuarei de facto a escrever sobre o que sinto.

Após um mês e meio de dor e algo a que se pode chamar de depressão, comecei há algum tempo a ver a luz ao fundo do túnel e neste momento a saída desse túnel aproxima-se rapidamente. Estou a gostar novamente da minha própria companhia e desta vez começo a gostar mais do que gostava antes. É claro que ainda tenho pensamentos sobre o passado… continuo a pensar em coisas que acho que deveria ter dito, outras em que deveria ter ficado calado.. continuo a fazer alguns filmes sobre o que faria se esta ou aquela situação acontecessem agora, etc. No entanto isto são coisas cada vez mais ocasionais e já não me tiram o sono.

Tenho estado a ser um cuidador de pessoas amigas e o melhor disto tudo é que tenho estado a fazê-lo sem ser “às minhas custas”. Tenho estado a tomar conta de outros sem descuidar o tomar conta de mim. E isto tem-me sabido muito bem. Sou de facto um cuidador, uma pessoa que gosta de proteger, de dar colo, de acarinhar.

O tempo vai passando, as minhas feridas vão cicatrizando e ….

… corro pelo monte acima, a chuva cai com força deixando-me encharcado, relâmpagos surgem pelo meio das núvens cinzentas iluminando tudo à minha volta. Segundos despois ouvem-se os trovões, altos, fortes e selvagens a fazer tremer tudo. Deveria estar a sentir frio e no entanto sinto-me quente… acolhido e protegido. Tomo conta de mim, protejo-me, aceito-me como sou e aceito as minhas circunstâncias. Aceito que há coisas que não posso controlar e abdico disso tudo. Deixo-me simplesmente ir ao sabor da maré e faço apenas o necessário para me manter bem.

Sim, a música acabou e entretanto começou outra que me levou a viajar. Há um mês atrás esta música iria trazer-me uma crise de choro, necessária, essencial para me limpar e purificar. Hoje traz-me um sorriso. Lembro-me das coisas boas, lembro-me de me terem dito que esta música devia estar num filme (babei-me todo ao ler isto).

Tenho que ir… é dia de yoga.