Dia do Pai

Não é um dia ao qual eu dê muita importância e no entanto é um dia que me deixa um pouco triste… e se calhar um pouco revoltado com muitas das coisas que vejo à minha volta. Não quero alongar-me nisto, resumo as coisas a uma simples expressão: “Dá Deus nozes a quem não tem dentes!”

Por outro lado vejo crianças a dedicar coisas aos seus pais e confesso que sinto alguma inveja destes pais. Nada de tóxico, fico muito feliz por todos esses pais.

Já há alguns anos que tenho em mim o desejo de ser pai. As noites sem dormir a dar colo, o mudar das fraldas, as birras, as cólicas, o ter que ralhar mesmo quando isso me parte o coração… nada disto me assusta e no entanto é tudo desconhecido para mim. Apenas conheço estas coisas pelos olhos dos outros. Este desejo faz parte de uma necessidade que tenho de dar colo, de ser um cuidador, de proteger e quem sabe transmitir os meus valores. Podia dissertar aqui sobre a passagem dos genes e coisas desse género, mas não se trata disso apenas. É algo bem mais profundo que a ligação biológica.

Talvez por isso eu tenha sido como um pai para as crianças que passaram pela minha vida, sempre pronto para dar colo, para proteger e empurrar para o caminho certo.

Sinto-me um pouco triste… e está tudo bem, aceito isso. A vida continua e tudo é possível.