Tempo

O tempo passa e nós muitas vezes não damos por isso. Há emoções e sentimentos, dores e alegrias que passam por nós. Às vezes, por vezes muitas, parece que o universo está todo trocado, que nada está no sítio certo… entregamos o nosso íntimo a quem não o valoriza, fazemos asneiras a quem não o merece, assistimos a coisas que faríamos de maneira diferente ou às quais daríamos outro valor. E por vezes, talvez poucas, o universo encaixa no sítio certo. Os astros ficam alinhados e as coisas correm bem.

Aos poucos, com “baby steps” vou percorrendo o meu caminho pela vida, sem nunca ficar parado e ao mesmo tempo a parar para descansar quando me sinto cansado. Vou conhecendo outras almas, devagarinho. Não há medo, há curiosidade. Não há espectativas, há apenas uma sincronia de pensamentos e sentires, uma semelhança de vidas muito subtil.

Enquanto sigo por aí, vou mudando o mundo à minha volta… não.. vou-me alterando, evoluindo… mudo a minha visão do mundo à minha volta. A minha percepção altera-se e a minhas reacções ficam diferentes. De vez em quando ainda volto um pouco ao meu registo anterior e no entanto faço-o apenas para constatar que já não pertenço ali. Nada daquilo me faz sentido. Algo que numa outra ocasião me atirava para um abismo de neura agora apenas me deixa com um sorriso compreensivo e digo de mim para mim: “Tu mereces muito mais”.

Tomo conta de mim, aprendo finalmente a tomar realmente conta de mim e é algo que me deixa confortável, “cosy”.

Aceito que há coisas que não tenho e que tê-la ou não é algo que não posso controlar e como tal deixo ir toda a esperança, a ânsia, ficando apenas o desejo de as ter. Esse, está cá. É meu e mantém-me vivo, mantém-me verdadeiro para comigo próprio e ajuda-me a ser o que sou.

Há tempos disseram-me que me sentem mais leve. Eu sinto-me mais leve. Não tenho qualquer peso ou pesar. Não estou eufórico nem estou triste.

Estou apenas “sugadito” a viajar calmamente pelo tempo.