Mudanças

As coisas passam, mudam, alteram-se e alteram-nos, ou se calhar deixamo-nos alterar por elas. Crescemos, evoluímos, morremos, renascemos, estamos em constante transformação e nunca estamos iguais a ontem. Tudo isto que digo é cliché e todos estamos “cansados” de o saber, no entanto é difícil aceitar isto… é difícil aceitar que o que a coisa boa que tínhamos ontem já não temos hoje e que se calhar não vamos voltar a tê-la… até ao dia em que temos outra coisa boa. Porque é que não é difícil aceitar que hoje não temos as coisas más ou menos boas que tínhamos no passado?

Se temos coisas boas e se as reconhecemos é apenas porque também conhecemos as coisas más. Para conhecer algo, é necessário conhecer também o seu oposto, caso contrário, como é que iremos reconhecer algo? Qual é o termo de comparação que nos ajuda a identificar algo? Como sabemos que uma coisa é boa se não soubermos o que é uma coisa má?

Tenho estado a voltar um pouco às minhas origens filosóficas… disserações sobre a coisas que me passam pela cabeça e no entanto, há diferenças. Já não é só coisas da cabeça; são sentimentos, emoções, coisas e cenas.

Estou no trabalho e preciso de uma pequena pausa. Pensar noutras coisas para desimpedir a mente e começo a escrever. Isto sabe-me bem, tiro uns momentos para mim e simplesmente escrevo. É claro que tanto posso escrever apenas uma frase ou duas como me pode dar para uma dissertação de várias páginas. Enquanto escrevo, ouço música. Aqui está algo que é muito importante para mim, a música. Há pessoas que não conseguem trabalhar ou fazer qualquer coisa quando estão a ouvir musica, dizem que perdem a concentração. A mim ajuda-me a concentrar; enquanto a música entra pelos meus ouvidos e se espalha por todo o meu corpo, fico mais concentrado, mais focado e parece que tenho mais tempo para fazer tudo o que quero fazer.

Curiosamente faço algo que não era muito habitual eu fazer antes. Páro de escrever a meio e faço outras coisas. Normalmente eu tinha o hábito de começar a escrever e só parar no fim de escrever o que queria. Não conseguia quebrar a minha linha de raciocínio; Era algo que eu não gostava. Agora? Não me interessa. Se eu parar de escrever e voltar para escrever mais tarde com um assunto completamente diferente do anterior, já não fico incomodado com isso. Há muitas coisas que eu sinto a mudar em mim e esta é uma delas.