Memórias de um futuro,

Deitado num convés de um navio, algures no meio do Atlantico Norte, vejo as estrelas; milhões delas. Algumas, pontos cintilantes no meio da escuridão, outras apenas um pisco quase imperceptível. Consigo ver a via-láctea em todo o seu esplendor, é como uma névoa extensa que rasga a imensidão escura do universo. A humidade da noite preenche cada milímetro de ar, quase que se consegue ver gotículas pequenas de água a pairar colando-me a camisa ao corpo, acompanhado de um calor intenso, se não estivesse escuro diria que estava um sol abrasador.
Sinto uma ligeira brisa a desarrumar-me o cabelo, um cheiro a mar inconfundível, um aroma salgado e ao mesmo tempo doce. Ouço música enquanto medito sobre a minha vida… sinto a minha solidão no meio do vasto oceano, salgado, negro e frip. Penso se algum dia vou encontrar aquela pessoa que me fará sentir completo. Alguém cuja loucura faça pandan com a minha. Alguém que me aceite tal e qual como sou, sem tirar nem por.

Pergunto-me se esse alguém existe neste planeta. E se existe, será que a vou encontrar?

Já passaram 13 anos deste esta noite, e será que já tenho a resposta às perguntas que fiz?

Não interessa. As perguntas ficam lá para trás. Já não tenho essas perguntas, ou se as tenho, perdi a necessidade de as ver respondidas. Talvez naquela noite eu já soubesse que não ia encontrar respostas, talvez naquela noite eu estivesse apenas a lembrar-me do meu futuro.