A proximidade

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Por vezes, ou se calhar até muitas vezes, estamos muito próximos de atingirmos ou termos algo que desejamos e no entanto por maior que seja essa proximidade, não conseguimos chegar onde queremos ou ter o que desejamos.

Não tem que ser necessariamente algo material, pode ser apenas um sentir, um estado de espírito.

É curioso que enquanto nos aproximamos do que desejamos vamos começando a sentir uma ânsia de dar mais um passo e mais outro e ainda mais, no entanto não no damos porque sabemos que não podemos, porque temos plena consciência que o que desejamos não está ali. Apesar disso, a ansiedade que sentimos é tal que mais parece que o que desejamos está lá.

Depois disso, quando nos afastamos e regressamos ao nosso canto e as coisas acalmam, a ansiedade dá lugar a uma certa tristeza. Não é nada demasiado, no entanto, não deixa de ter o seu peso.

Há toda uma quantidade de “near misses” ao longo de uma vida, cada um deles só por si nada de super grave, no entanto se os juntamos todos, transformam-se em algo mais sério.

Há uma certa frustração que vai acumulando cada vez que nos acontece chegar perto de algo e percebendo que afinal não é aquilo, não é ali. No meio disto o difícil é conseguir lidar com este resultado.

Esta frustração surge quando nos apercebemos que o que desejamos não está lá, o que está é apenas algo parecido, e em consequência da frustração, aparece a tristeza.

Acho que já aprendi a aceitar tudo isto como parte da vida… É o que é e quando o que eu quiser me aparecer à frente, aí será bom bónus para o meu actual bem-estar.