“Paizices”

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Não sou “pai” de ninguém a não ser do meu gato no sentido figurativo. No entanto já fui como pai para algumas pessoas.

Entrei para a vida de uma menina, já adolescente. Tinha dezasseis anos quando nos conhecemos. A princípio via-me com a suspeição natural de ver alguém estranho em casa dela. Deixei-me estar no meu canto, sempre a respeitar o espaço dela e aos poucos a proximidade surgiu naturalmente.

Os anos foram passando e os nossos laços foram crescendo. Raramente lhe recusava os pedidos, ela sempre soube como me conquistar. Levei-a a vários sítios, fui buscá-la a vários sítios, algumas vezes a meio da noite. Dei-lhe sempre o meu ombro, a minha protecção, o meu ouvido. Partilhei com ela as minhas experiências de vida em forma de conselhos paternos. Orgulho-me muito do que ela conseguiu e ainda está a conseguir da sua vida. Não sou o pai dela, simplesmente vivi com ela e a mãe durante anos, no entanto todos os anos ela me manda um beijo no dia do pai, algo que me traz a lágrima ao canto do olho.

Há três anos atrás, conheci um rapaz, na altura com sete anos. Eu e a mãe dele somos bons amigos, passámos algum tempo juntos e o pequeno gosta de me ter por perto. Faz-me perguntas, gosta que eu lhe explique o porquê das coisas. Fica triste quando não estou por perto ou quando tenho que me vir embora. Fiquei com o coração nas mãos quando um dia o perdi de vista por dois segundos na rua, passei um dia ansioso à porta do hospital enquanto a mãe estava lá dentro por causa de uma gastroenterite viral.

Guardo estás pessoas no coração. São pessoas que me preenchem e que, creio eu, consegui e ainda consigo contribuir para a felicidade e bem-estar deles.

Tudo isto para dizer que:

Não sou pai, nunca fui pai biológico de ninguém, acho que tive um gostinho do que é ser pai… Apesar de querer muito ser pai do meu próprio filho ou filha, apenas consegui ser pai doa filhos dos outros.