{"id":1299,"date":"2018-08-15T05:26:53","date_gmt":"2018-08-15T04:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.monogatari.info\/?p=1299"},"modified":"2018-08-15T05:26:53","modified_gmt":"2018-08-15T04:26:53","slug":"chica-penico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monogatari.info\/index.php\/2018\/08\/15\/chica-penico\/","title":{"rendered":"Chi\u00e7a penico"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o para a\u00ed umas quatro da manh\u00e3 e ainda n\u00e3o fui dormir; pois claro, estou sem sono.<br \/>\nResolvi fazer uma &#8220;limpeza&#8221; no meu blog. Apaguei posts antigos que j\u00e1 n\u00e3o faziam qualquer sentido, re-categorizei outros como mem\u00f3rias. Vasculhei por todos os quase seiscentos posts que tenho neste blog e encontrei coisas que v\u00e3o at\u00e9 2005. Lembro-me que comecei a escrever de uma forma regular no dia 23 de Agosto de 2003, no Blogger. No entanto perdi esses dois anos de escrita, sei que os apaguei e n\u00e3o o fiz por mim; foi uma fase negra da minha vida. Continuei sempre a escrever, a deitar c\u00e1 para fora tudo aquilo que passava pela minha cabe\u00e7a, em blocos de notas que tenho perdidos c\u00e1 em casa ou em folhas soltas que j\u00e1 perdi h\u00e1 muito tempo.<br \/>\nLembro-me que gostava mesmo de escrever. E ainda gosto. Estou lentamente a recuperar o meu gosto pela escrita. Ele nunca se foi embora, simplesmente esteve adormecido durante um tempo e agora estou a acord\u00e1-lo.<br \/>\nSento-me aqui com o tradicional &#8220;milk and cookies&#8221; (\u00e9 mais bolacha maria, mas o efeito \u00e9 o mesmo) enquanto escrevo este texto e sinto a minha mente a ganhar velocidade. Os meus pensamentos formam-se mais r\u00e1pido que as frases e muito mais r\u00e1pido que a capacidade que tenho de as escrever, no entanto eu escrevo, largo tudo para aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Pequeno \u00e0-parte: tenho estado a tentar n\u00e3o utilizar a palavra &#8220;mas&#8221;. \u00c9 uma palavra com demasiado peso e normalmente \u00e9 uma palavra que anula as coisas. Quando utilizada, tudo o que vem antes do &#8220;mas&#8221; perde significado, \u00e9 anulado.<br \/>\nPor exemplo: &#8220;Eu gosto de fruta mas \u2026&#8221; N\u00e3o, afinal n\u00e3o gostas de fruta. N\u00e3o gostas de qualquer maneira. \u00c9 uma quest\u00e3o de neuro-lingu\u00edstica\u2026 pancas.. &#8220;this boy has issues&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Anyway, onde \u00e9 que eu ia? Ah, sim\u2026 a escrita. Juntamente com comp\u00f4r m\u00fasica, pintar e fotografar (e praticamente tudo o que seja um processo criativo), eu adoro escrever. N\u00e3o \u00e9 algo que eu goste desde pequeno, comecei a escrever os meus di\u00e1rios j\u00e1 em adulto, nas raras ocasi\u00f5es em que n\u00e3o tinha algum compromisso social. N\u00e3o sei onde andam, provavelmente foram para o lixo em alguma altura. Os \u00fanicos di\u00e1rios que tenho ainda hoje remontam apenas ao final dos anos 90. Costumava escrev\u00ea-los nas minhas noites solit\u00e1rias a bordo de um navio no meio de um oceano.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi uma altura bastante solit\u00e1ria da minha vida. Na verdade, grande parte da minha vida foi solit\u00e1ria. Pelo menos a partir dos meus doze anos. Na escola tinha os meus colegas de turma, mas nenhum deles eu considerava um amigo, simplesmente n\u00e3o havia liga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se criaram la\u00e7os. Eu era um outsider. Demasiado estranho para fazer parte de qualquer tribo. At\u00e9 aos quatorze anos eu tinha a companhia dos c\u00e3es de rua quando saia da escola, alimentava-os e brincava com eles, sem pedir nada em troca. E eles acompanhavam-me da escola para casa e vice-versa, todos os dias. Protegiam-me.<br \/>\nAos quinze, mudei de casa, fui para um col\u00e9gio e ainda assim n\u00e3o tinha amigos no col\u00e9gio. Mentira. Eu tive uma amiga no col\u00e9gio. Ela era, tal como eu, demasiado estranha para se inserir em qualquer grupo, form\u00e1mos o nosso grupo. Est\u00e1vamos juntos em todas as aulas, sempre na conversa um com o outro, ao ponto dos professores terem que nos separar porque fal\u00e1vamos demasiado. Ambos \u00e9ramos repetentes, a mat\u00e9ria que nos estavam a querer ensinar j\u00e1 estava aprendida, t\u00ednhamos muito mais interesse um no outro do que na mat\u00e9ria. Acho que o deixava os profs furiosos era quando nos perguntavam se sab\u00edamos o que eles tinham acabado de explicar e um de n\u00f3s repetia as palavras deles uma por uma sem falhar nada. Nunca estive com ela fora do col\u00e9gio, lembro-me que ela tinha um pai &#8220;severo&#8221; e que n\u00e3o a deixava sair para lado nenhum. Al\u00e9m disso, o col\u00e9gio era longe de onde cada um de n\u00f3s morava e por seu lado n\u00f3s mor\u00e1vamos longe um do outro. Curtimos os dois durante a viagem de finalistas e depois acabou o col\u00e9gio e nunca mais nos vimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os quinze e os dezasseis anos, conheci no s\u00edtio onde morava os meus amigos que ainda hoje o s\u00e3o. As poucas pessoas neste mundo que, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, me conhecem tal e qual como sou. E ainda assim h\u00e1 coisas sobre mim que eles desconhecem. N\u00e3o \u00e9 porque eu n\u00e3o queira contar, \u00e9 apenas porque eles n\u00e3o querem saber, gostam de mim e aceitam-me tal qual como estou e sou.<br \/>\n\u00cdamos sair todos juntos, pass\u00e1vamos f\u00e9rias juntos, noitadas, festas de anos, jantares, tudo. Entretanto continuei a crescer, sempre o outsider agora com a minha tribo. Entretanto, aos vinte entrei para a marinha para cumprir o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio. Tirei especialidade, o que implicava ficar l\u00e1 dez meses em vez dos quatro meses originais. Os dez meses transformaram-se em dezasseis que depois acabaram por ser oito anos, quatro dos quais embarcado num navio.<br \/>\nDurante esses oito anos, fartei-me de viajar, conheci meio mundo, outras culturas e nos poucos tempos que tinha livres estava com os meus amigos. Jantares, ser\u00f5es em casa uns dos outros com todo o tipo de jogos ou divers\u00f5es. Foi nessa altura que conheci a Rute. Ela trabalhava no mesmo s\u00edtio que o meu melhor amigo, dividia o apartamento com duas amigas e uma bela noite, l\u00e1 fomos a casa da Rute para um jantar e um ser\u00e3o de &#8220;verdade ou consequencia&#8221;. Nessa altura criaram-se la\u00e7os. Ela era diferente, mas eu consegui v\u00ea-la tal qual como ela \u00e9 hoje, embora eu ache que nem ela tinha consci\u00eancia do que se iria tornar. Uma mentora, amiga, protectora, presente. Tiv\u00e9mos ser\u00f5es de copos, jogos de tabuleiro, cozinh\u00e1mos para a malta toda, cheg\u00e1mos a jogar ao quarto escuro numa passagem de ano. Bons tempos\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o para a\u00ed umas quatro da manh\u00e3 e ainda n\u00e3o fui dormir; pois claro, estou sem sono. Resolvi fazer uma &#8220;limpeza&#8221; no meu blog. Apaguei posts antigos que j\u00e1 n\u00e3o faziam qualquer sentido, re-categorizei outros como mem\u00f3rias. 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