{"id":210,"date":"2007-02-20T18:32:00","date_gmt":"2007-02-20T18:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.monogatari.info\/?p=210"},"modified":"2007-02-20T18:32:00","modified_gmt":"2007-02-20T18:32:00","slug":"sintra-reprise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monogatari.info\/index.php\/2007\/02\/20\/sintra-reprise\/","title":{"rendered":"Sintra &#8211; Reprise"},"content":{"rendered":"<p>Fui a Sintra dar uma volta. Estava a precisar disto j\u00e1 h\u00e1 algum tempo. Sentia toda aquela zona a chamar por mim. Bem, n\u00e3o era toda, eram apenas algumas partes da serra de Sintra.<br \/>Comecei a tarde por ir at\u00e9 ao Guincho ver o mar. Foi uma visita breve, o mar estava um pouco bravo, estava vento; tirei algumas fotografias e segui caminho.<br \/>Enquanto seguia pela estrada do Guincho at\u00e9 Sintra, vejo um caminho de lama com uma placa a dizer, reserva florestal protegida de Sintra (ou algo parecido). Decidi entrar por a\u00ed, estou cansado das estradas convencionais, \u00e9 muito mais excitante seguir por caminhos desconhecidos, sem saber onde v\u00e3o dar. Buracos, pedras, ramos, valetas, precip\u00edcios e v\u00e1rios cruzamentos passados, chego a uma derradeira encruzilhada.<br \/>Tinha tr\u00eas hip\u00f3teses para escolher (de carro, claro. Porque a p\u00e9 ainda havia mais uma). Voltar para tr\u00e1s e tentar outras direc\u00e7\u00f5es noutros cruzamentos anteriores, Convento dos Capuchos ou Castelo dos Mouros. Voltar para tr\u00e1s, n\u00e3o me estava a apetecer. Convento dos Capuchos, nem pensar, \u00e9 um s\u00edtio que&#8230; bem, descreverei o que senti nos Capuchos noutra cr\u00f3nica. Segui ent\u00e3o para o Castelo dos Mouros.<br \/>Todo o caminho at\u00e9 chegar a esta encruzilhada foi uma aventura, o carro derrapava-me em zonas com mais lama, estava a ver que apanhava um atalho pela encosta abaixo. O sil\u00eancio era ensudecedor. Na verdade n\u00e3o havia sil\u00eancio, mas tamb\u00e9m n\u00e3o havia nenhum dos sons que nos s\u00e3o familiares no dia-a-dia. \u00c0 esquerda, uma encosta descendente, \u00e0 direita a encosta ascendente, ambas cobertas de \u00e1rvores, de tal maneira que n\u00e3o se consguia ver mais do que cem metros. O sol brilhava por entre as folhas, pequenos raios batiam no vidro do carro, em algumas ocasi\u00f5es fazendo reflexo ofuscando-me por completo. Segui sempre com marcha lenta, admirava a paisagem, ouvia m\u00fasica barroca e senti a minha comunh\u00e3o com a serra. Ao chegar \u00e8 encruzilhada deparo-me com a placa que indicava quais os caminhos que podia seguir e li o nome do s\u00edtio onde estava. Nessa altura, todo o meu sentir me fez sentido. Eu sentia uma tranquilidade enorme, mas ao mesmo tempo estava nervoso, com medo, sem saber para onde estava a ir, sem saber se me tinha perdido ou n\u00e3o. Eu estava no Monte da Lua.<br \/>O caminho at\u00e9 ao Castelo dos Mouros foi bastante pac\u00edfico, eu at\u00e9 diria que foi um pouco de uma desilus\u00e3o, demasiado civilizado; estrada alcatroada, j\u00e1 com largura suficiente para passarem dois carros, algum tr\u00e2nsito&#8230;<br \/>Cheguei ao Castelo e ap\u00f3s sentir um pouco o ambiente, decidi n\u00e3o entrar. Ainda encontrei dois gatos, dos quais uma veio ter comigo a miar. Fiz-lhe umas festas, dei-lhe umas bolachas que tinha no carro e segui caminho.<br \/>Andei \u00e0s voltas pelos arredores e centro hist\u00f3rico da cidade de Sintra; mais uma vez muito tr\u00e2nsito. Estava a ver onde \u00e9 que a minha condu\u00e7\u00e3o me levava e acabou por acontecer o inevit\u00e1vel. Estacionei mesmo \u00e0 porta da Quinta da Regaleira.<br \/>Paguei o meu bilhete, entrei e fui directo \u00e0 gruta do lago. Da \u00faltima vez que l\u00e1 estive, n\u00e3o tinha levado lanterna, mas desta vez fui prevenido.<br \/>Entrei por ali adentro, com medo do desconhecido. No entanto, quanto mais medo tinha mais me aventurava, mais avan\u00e7ava. O som da \u00e1gua a escorrer pelas paredes, pingos a ca\u00edrem do tecto e a fazer eco por toda a gruta, o sentir de \u00e1gua a ca\u00edr no pesco\u00e7o, na cabe\u00e7a. S\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es indescrit\u00edveis. Aquela gruta \u00e9 labir\u00edntica mas ningu\u00e9m se perde ali, porque todos os caminhos v\u00e3o dar a algum s\u00edtio.<br \/>Foi uma tarde fant\u00e1stica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fui a Sintra dar uma volta. Estava a precisar disto j\u00e1 h\u00e1 algum tempo. Sentia toda aquela zona a chamar por mim. Bem, n\u00e3o era toda, eram apenas algumas partes da serra de Sintra.Comecei a tarde por ir at\u00e9 ao Guincho ver o mar. 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