{"id":337,"date":"2005-09-05T14:52:00","date_gmt":"2005-09-05T14:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.monogatari.info\/?p=337"},"modified":"2005-09-05T14:52:00","modified_gmt":"2005-09-05T14:52:00","slug":"conto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monogatari.info\/index.php\/2005\/09\/05\/conto\/","title":{"rendered":"Conto deprimente"},"content":{"rendered":"\n<p>Ela raramente se lembra completamente da noite anterior, tem alguns flashes, algumas mem\u00f3rias confusas e muitas brancas; h\u00e1 certas horas ou minutos da noite anterior que desapareceram por completo da sua mem\u00f3ria. De todas as vezes que isto lhe acontece ela diz que nunca mais volta a beber, mas h\u00e1 sempre um dia em que isto acontece novamente. J\u00e1 \u00e9 quase noite, ela dormiu o dia quase todo e nem deu pelo tempo passar; recorda-se vagamente de ter tomado um comprimido para a ressaca antes de se deitar, mas ser\u00e1 que tomou mesmo? A sua cabe\u00e7a anda \u00e0 roda, as paredes parecem fugir; pensa em pedir ajuda, mas n\u00e3o sabe como faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo come\u00e7ou na noite anterior, ela foi a um jantar com um grupo de amigos e amigas. Foi um jantar com muita comida, conversa animada, gargalhadas soltas e muita sangria. A meio do jantar j\u00e1 tinham marchado dois jarros de sangria entre ela e outras duas pessoas. Pediu-se a conta, beberam-se os digestivos enquanto os dois mais s\u00f3brios faziam as contas para pagar o jantar, anotando quem j\u00e1 tinha pago ou n\u00e3o num peda\u00e7o da toalha de papel.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Sairam finalmente do restaurante e pararam \u00e0 porta a discutir para onde iam a seguir. \u00c9 claro que seria para uma discoteca qualquer, s\u00f3 restava saber qual delas no meio da mir\u00edade de discotecas que existem na noite Lisboeta. Ao fim de muita argumenta\u00e7\u00e3o e muitos digestivos, desta vez pagos por quem os consumia, l\u00e1 se decidiram pelo s\u00edtio. A discoteca era ali perto, foram todos a p\u00e9, a conversar animadamente, a brincar uns com os outros, casalinhos a distanciarem-se do grupo principal. Entraram na discoteca e passaram o resto da noite a beber e a dan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sete e meia da manh\u00e3, j\u00e1 mais de metade do grupo tinha ido para casa, dormir, vomitar, ressacar, entre muitas outras coisas; ela era uma das resistentes, ficou at\u00e9 ao fim. Entre cada dan\u00e7a ia despejando Vodka com lim\u00e3o, uns atr\u00e1s dos outros; o seu estado inebriado acentuava-se com a passagem do tempo, \u00e0 medida que ia bebendo cada vez mais. Agora que j\u00e1 estava na hora de ir para casa j\u00e1 ela estava quase de rastos, apoiou-se no ombro dele e deixou-se carregar para o carro. Ele n\u00e3o bebeu uma gota de alc\u00f3ol durante toda a noite, levou-a para o carro, sentou-a e conduziu-a de volta para casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Estacionou o carro, saiu calmamente e inspirou fundo; soube bem respirar ar puro depois de uma noite a respirar fumo de tabaco e n\u00e3o s\u00f3. Deu a volta ao carro, abriu a porta do lado direito e ajudou-a a sair do carro, apoiando-a no seu ombro. Subiu seis lan\u00e7os de escadas com ela apoiada no ombro direito, abriu com alguma dificuldade a porta de casa e entrou. Deitou-a na cama, tirou-lhe a roupa e tapou-a com a roupa da cama, dando-lhe um beijo na face em seguida. Foi \u00e0 casa de banho buscar um balde para colocar ao lado da cama; n\u00e3o fosse ser preciso. Ele despiu-se, levou a roupa de ambos para o cesto da roupa suja, comeu qualquer coisa na cozinha enquanto observava a rua pela janela; \u00e0quela hora de s\u00e1bado passava muito pouca gente na rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela come\u00e7ou a vomitar para dentro do balde, tudo o que era bebida que ainda estava no est\u00f4mago dela, saiu c\u00e1 para fora. Levantou ligeiramente a cabe\u00e7a e olhou em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 porta do quarto e ouviu: &#8220;precisas de alguma coisa? Trouxe-te \u00e1gua&#8221; e ainda conseguiu v\u00ea-lo a pousar um copo de \u00e1gua com um guronsan a efervescer em cima da mesa de cabeceira; bebeu o preparado de uma assentada s\u00f3 e caiu na cama a dormir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tapou-a novamente, levou o balde e despejou-o na sanita, lavando-o depois na banheira. Sentou-se um pouco no sof\u00e1 da sala a pensar, estando ao mesmo tempo atento a qualquer ru\u00eddo que ela pudesse fazer. Deitou-se para o lado e adormeceu. Eram duas e meia da tarde quando voltou a acordar, levantou-se e foi ver como ela estava. Ela ainda estava profundamente a dormir, na mesma posi\u00e7\u00e3o em que tinha ca\u00eddo na cama. Deu-lhe um beijo na face e deixou-a dormir. Tomou um banho, saiu para ir beber um caf\u00e9 e fazer umas compras para mais logo, para o jantar. Voltou para casa carregado com dois sacos de compras, p\u00e3o, manteiga, leite, sumos, fiambre, ch\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Seis e meia da tarde, ela abre os olhos, come\u00e7a a tentar levantar a cabe\u00e7a e a olhar \u00e0 volta com aquele olhar de &#8220;onde estou? o que \u00e9 que se passou?&#8221;. Ele apareceu no quarto a perguntar como \u00e9 que ela se sentia e disse-lhe: &#8220;Tenho ali \u00e1gua a aquecer para um ch\u00e1 e torradas a fazer!&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela raramente se lembra completamente da noite anterior, tem alguns flashes, algumas mem\u00f3rias confusas e muitas brancas; h\u00e1 certas horas ou minutos da noite anterior que desapareceram por completo da sua mem\u00f3ria. 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