– Estou sim!?
– Ahnf, ahnf!
– Diga?!
– hunf, hunf.
– Quem fala?
– Grunfff… Não sabe fazer as perguntas certas. Adeus!
….
Era uma vez, numa terra muito distante vivia uma velhinha muito rabugenta. Tinha uma idade tão avançada que já ninguém se lembrava dela quando era criança. Um belo dia a velhinha saiu de casa para ir à praça, como fazia todos os dias, quando de repente teve um trecolareco e caiu redonda no meio da rua. Logo se juntou uma multidão em redor da velhinha para ver o que tinha acontecido. Afinal de contas ela era a pessoa mais idosa da aldeia e toda a gente a conhecia. Alguns segundos depois chegou o médico da aldeia. Pediu a toda a gente que se afastasse e que desse espaço. Com o estetoscópio nos ouvidos, o médico começou a tentar escutar o coração dela; Não tendo escutado nada a principio, levantou a cabeça muito assustado e olhou em seu redor para as caras da multidão que o incitaram a tentar de novo. Talvez o estetoscópio estivesse avariado ou entupido. Comoçou novamente a tentar escutar o coração dela, quando de repente leva com uma mala de senhora na cabeça. Era a velhinha que já tinha recuperado os sentidos e não estava a gostar nada da multidão que estava ali, muito menos do médico ali em cima dela. Levantou-se num pulo e começou a refilar com toda a gente, a mandá-los para casa e para se meterem nas suas próprias vidas.
A multidão dispersou, ficando apenas o médico a tentar falar com a velhinha. Perguntava-lhe insistentemente se ela estava bem e se não lhe doía nada. A velhinha sempre muito rabugenta dizendo-lhe que não se passava nada, virou costas e seguiu com a sua vida.
