De facto ando a sonhar muito. Será cr8atividade? Serão mensagens para ser interpretadas? Será apenas uma mente hiper-activa?
Não sei. Nem estou muito preocupado com isso.
Desta vez, estava de volta no navio. O espaço estava igual, algumas pessoas eram as mesmas, apenas mais velhos. Pessoas novas, algumas coisas novas também.
Sensações que regressaram. Aí nada de novo. Tudo o que senti no tempo que passei a bordo permaneceu imutável. A única coisa diferente era eu, a maneira como reagi a essas sensações, como lidei com elas.
A solidão no meio do oceano, as noites húmidas a ver as estrelas, o balanço das ondas, o vento frio, as saudades de casa. Tudo isto estava lá ainda.
Putos novos que presumiam que eu era novato naquelas andanças, com a “cagança” habitual do seus vinte e poucos aninhos. Novos mas já com um ou quase dois anos de bordo. Mal imaginavam que eu já fiz tudo o que eles fizeram e mais do que isso, ainda eles andavam na escola.
Não me sentia velho, muito pelo contrário, senti como que uma renovada juventude. Senti-me como um jovem veterano. Conhecia os cantos todos à casa, todas as tarefas, deveres, direitos.
Sinto nostalgia dos meus tempos a bordo, mas não regressaria; a minha mentalidade é diferente hoje. Talvez. Se eu pudesse partilhar toda a experiência com alguém especial, talvez fosse diferente.
Lembro-me que a minha maior ferida foi não poder partilhar todas as minhas experiências maravilhosas no meio do mar com alguém. Foram de facto maravilhosas, mas muito solitárias.
